Alergia alimentar na infância: uma discussão atual


Post do dia: 2017-08-16 14:21:06. Publicado por Prof. Dra Jamile Nogueira Categoria: Novidades .

O que é alergia alimentar? 

Alergia alimentar é um termo utilizado para descrever reações adversas a alimentos, dependentes de mecanismos imunológicos, IgE mediados ou não. É desencadeada por antígenos alimentares. Já na intolerância alimentar o indivíduo apresenta uma produção diminuída de enzimas que deveriam participar do metabolismo de determinados nutrientes. Um bom exemplo seria a intolerância a lactose pela deficiência de lactase, uma enzima responsável pela quebra de lactose, o açúcar do leite. Muitas vezes o indivíduo intolerante apresenta certa capacidade de tolerância ao alimento, pois ainda que baixa, mantém pouca produção enzimática. Fato que não ocorre no processo alérgico, no qual pequenas porções do alimento alergênico ou até mesmo traços do mesmo podem desencadear reações graves de hipersensibilidade.

 

Imaturidade Gastrointestinal nos primeiros anos

A alergia alimentar é mais comum em crianças, mas pode aparecer também na vida adulta. Segundo a Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (ASBAI, 2016), a prevalência estimada é de 2% entre lactentes, sendo que cerca de 60 a 80% desenvolverá tolerância até os 2 anos de idade. Os primeiros anos de vida representam uma fase de maior susceptibilidade por conta da imaturidade gastrointestinal e do sistema imune da criança. A dieta da gestante e da nutriz, a exposição precoce a alérgenos, a idade da introdução de alimentos sólidos, herança genética têm sido alguns dos fatores ambientais investigados no desenvolvimento da alergia alimentar. Contudo, seu desencadeamento depende da interação entre a genética e tais fatores ambientais, os quais estão relacionados com a natureza e carga do antígeno e predisposição individual.

O objetivo global do tratamento nutricional em casos de alergia alimentar é proporcionar à criança crescimento e desenvolvimento adequados, inserção ao meio social e qualidade de vida, evitando o aparecimento de manifestações de maneira geral, piora dos sintomas e consequente progressão da doença. Muitas vezes, a criança encontra-se em dieta extremamente restritiva o que pode desencadear carências nutricionais e prejudicar seu crescimento e desenvolvimento.

 

Exemplos dce alimentos que podem desencadear hipersesibilidade

Como principais alimentos que desencadeiam reações de hipersensibilidade, pode-se citar o leite de vaca, ovo, a soja, peixes e frutos do mar. Existem exames específicos para avaliação da alergia alimentar e a dieta de exclusão com melhora de sintomas pode ser um bom indicativo acerca do alimento alergênico.

Além da dieta de exclusão é fundamental a modulação da microbiota intestinal que pode representar fator importante para melhora do quadro. O uso de probióticos leva melhora da permeabilidade intestinal, ao equilíbrio da microbiota, à restauração das funções de barreira do epitélio intestinal além da modulação da resposta inflamatória.

Assim, o acompanhamento do nutricionista visa a prescrição de um planejamento alimentar bem estruturado para cada caso e de orientações gerais para a família, como a leitura de rótulos e o fornecimento de receitas, por exemplo. Dessa maneira, o tratamento pode ser mais simples, efetivo e a criança pode manter-se em um canal de crescimento e desenvolvimento adequados.


 

Referências:

Solé et al. Consenso Brasileiro sobre Alergia Alimentar: 2007 . Rev. Bras. Alerg. Imunopatol. – vol. 31, nº 2, 2008.

Associação Brasileira de Alergia e Imunologia. Declaração (statement) sobre prevalência de alergia ao leite de vaca. 2016.

 


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Prof. Dra Jamile Nogueira

Coordenadora do curso; Nutricionista; Mestre em Nutrição Humana - UFRJ; Doutora em Epidemiologia em Saúde Pública- Fiocruz/ Ensp; Coordenadora do Curso de pós-graduação em Nutrição em Obstetrícia, Pediatria e Adolescência – Presencial e EAD Centro Universitário Redentor; Docente da disciplina de Nutrição Materno infantil da Faculdade Arthur Sá Earp Neto;

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