Terapia Nutricional Enteral - O que é e a que se destina? 


Post do dia: 2017-06-12 13:24:50. Publicado por Jose Aroldo Lima Gonçalves Filho Categoria: Novidades .

O que é a terapia nutricional enteral (TNE) e a que se destina? 

A impossibilidade de fornecer nutrientes necessários para atender às exigências metabólicas é uma preocupação séria em se tratando de pacientes clínicos e cirúrgicos. Pessoas com doenças crônicas, como acidente vascular cerebral e  câncer ou ferimentos traumáticos estão particularmente em risco, assim como os idosos, que são especialmente vulneráveis às complicações decorrentes da desnutrição. Quando o trato gastrintestinal está em funcionamento, a nutrição enteral é uma forma de recuperar ou, em casos de danos repentinos, de manter um estado nutricional ótimo.

 A terapia nutricional enteral (TNE) se refere à provisão de nutrientes via trato digestório, por meio de uma sonda ou cateter, quando a quantidade de ingestão oral é inadequada ou impossibilitada. Em certas circunstâncias, a nutrição enteral pode incluir o uso de fórmulas, como suplementação oral ou como via exclusiva de alimentação.

A TNE é reconhecida como uma forma bastante segura e satisfatória de prover nutrição para pacientes que apresentam a capacidade de via oral parcial ou totalmente comprometida. Para a intervenção nutricional, a via enteral é o acesso de escolha devido à manutenção dos efeitos fisiológicos de digestão e absorção, capacidade imune local e sistêmica, segurança bacteriológica e economia, além de ser facilmente manipulada em ambiente domiciliar, contribuindo para melhora da qualidade de vida do paciente. Uma vez que o paciente tenha sido avaliado como candidato à nutrição  enteral, os membros da equipe multidisciplinar de terapia nutricional, o médico e o  nutricionista clínico, selecionam a sonda e a via de acesso apropriada.

A seleção do acesso enteral depende de: previsão da duração da alimentação enteral, grau de risco de aspiração ou deslocamento da sonda, presença ou não de digestão e absorção normais, previsão de intervenção cirúrgica e aspectos que interferem na  administração como viscosidade e volume da fórmula.

 

Vias e métodos de administração da TNE

O suporte nutricional enteral pode ser ofertado por sondas introduzidas pela  via nasogástrica, nasoduodenal ou nasojejunal, para terapia em curto prazo (três a quatro semanas), ou, então, por procedimentos cirúrgicos – gastrostomia ou jejunostomia, como a endoscopia percutânea, para alimentação em longo prazo (período superior a quatro semanas).

Observa-se que esses períodos de uso da sonda podem ser prolongados na prática diária, dependendo das condições de manuseio e de cuidados com a sonda.

A administração da nutrição enteral pelas sondas pode ser feita por três métodos: bolus, gotejamento intermitente e gotejamento contínuo. A seleção do método é baseada no estado clínico do paciente e na qualidade de vida.

 

Administração de medicamentos pela sonda de Nutrição Enteral

Quando os pacientes que fazem uso de sondas de alimentação enteral não apresentam deglutição eficaz e correm riscos de aspiração pulmonar, as sondas de nutrição também são utilizadas para a administração de medicamentos, sendo este um procedimento de rotina na prática hospitalar.

A via enteral tem vantagens evidentes, como a ampla disponibilidade de medicamentos para  uso  oral,  baixo custo e ausência dos riscos associados à administração intravenosa, intramuscular, subcutânea ou intradérmica. A administração de medicamentos por meio de sondas de nutrição enteral é uma prática comum e ocorre predominantemente nas unidades de clínica médica (51,5%), cuidados intensivos (24%), internação (16,5%), pediatria (8%) e  em cuidado domiciliar (8%).

A forma farmacêutica preferida e de maior facilidade para administrar medicamentos por meio da sonda são as preparações líquidas, que se apresentam como suspensões e soluções orais, xaropes ou elixires. Informações sobre os fármacos disponíveis comercialmente como líquidos ou sobre preparações extemporâneas podem ser encontradas em formulários pediátricos.

Em pacientes recebendo nutrição enteral intermitente, os medicamentos devem ser administrados nos intervalos de infusão. Se a alimentação enteral é contínua, para administrar o medicamento pode ser necessário interromper a infusão. O medicamento só deve ser ministrado após a lavagem adequada da sonda, com cerca de 50mL de água.

O principal problema relatado quando se opta por essa via de administração de medicamentos é a obstrução das sondas. A oclusão das sondas de nutrição enteral pode ocorrer em mais de 15% dos usuários.

 

A sonda obstruiu após a administração de medicamentos, o que fazer?

A primeira intervenção em casos de oclusão da sonda é a irrigação da mesma. O método mais usado para a desobstrução é a lavagem com água, mas também podem ser utilizados outros líquidos como sucos. Porém deve-se ter cuidado, pois líquidos muito ácidos podem contribuir ainda mais para a oclusão das sondas devido à desnaturação das proteínas da fórmula enteral.  

Soluções enzimáticas contendo pancreatina são indicadas nos casos de insucesso da utilização de água. A irrigação antes e depois da administração dos medicamentos líquidos ou triturados é recomendada.

Entre as consequências negativas desta intercorrência são mencionados o tempo de envolvimento da enfermagem, a redução da tolerância dos pacientes a alimento e medicamentos, a possibilidade de trauma e o aumento de custos.

Os mecanismos pelos quais ocorrem obstruções nas sondas de alimentação enteral são complexos, pois envolvem fatores relacionados aos medicamentos, como o número de fármacos administrados, a técnica de administração e a forma farmacêutica empregada e as interações com o alimento, e aqueles relacionados aos estados nutricional e patológico dos pacientes.

Ainda que as sondas sejam frequentemente desobstruídas com sucesso, a remoção da oclusão requer tempo adicional da enfermagem e retarda a nutrição enteral. Quando a sonda nasogástrica ou nasoduodenal obstruída não pode ser  irrigada com êxito, deve ser substituída.

Isto acarreta aumento no custo assistencial, desconforto para o paciente e risco de trauma da mucosa, além de exposição  adicional à radiação para controle de seu posicionamento. A obstrução também pode resultar em rompimento da sonda, causando a administração direta da nutrição  enteral no esôfago. A reposição por jejunostomia  e  gastrostomia endoscópica percutânea pode requerer intervenção cirúrgica

 


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Jose Aroldo Lima Gonçalves Filho

Diretor – NutMed Atualização e Preparatório Mestre em Fisiopatologia Clínica e Experimental - UERJ Pós graduado em Medicina Ortomolecular - UVA Nutricionista militar - PMERJ Ex-Professor Auxiliar de Nutrição Clínica do Instituto de Nutrição - UERJ Professor do Programa de Pós-Graduação em Terapia Nutricional do Instituto de Nutrição - UERJ e UGF Ex Prof Militar de Nutrição - Marinha do Brasil Ex Supervisor de Pesquisa de Campo do Departamento de Epidemiologia do Instituto de Medicina Social – UERJ Especialista em Nutrição Clínica - ASBRAN

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