Depressão no Idoso: Sinais de Alerta e Conduta Nutricional

Depressão no Idoso: Sinais de Alerta e Conduta Nutricional

Post do dia: 2018-09-25 12:55:19. Publicado 25/09/2018 por Equipe Nutmed Categoria: Nutrição Clínica .

Por Prof. Dra Fernanda Osso e Prof. MsC José Aroldo Gonçalves Filho

Estamos no setembro Amarelo, mês dedicado à prevenção do suicídio. Trata-se de uma campanha brasileira iniciada em 2015 e vem bem a calhar, diante do aumento dos casos de suicídio na população. Os números oficiais dão conta de que 32 brasileiros são mortos por dia vitimas de suicídio. Você sabia que esse número supera as vítimas de AIDS e da maioria dos tipos de câncer? Impressionante não é? Pois é, não menos impressionante é que de acordo com a OMS, 9 em cada 10 casos de suicídio poderiam ser prevenidos.

Por isso, resolvemos tratar nesse blog da depressão no idoso que é muito frequente, subdiagnosticada e uma importante causa de suicídio. O conhecimento por parte de nós, profissionais de saúde, dos sinais de depressão no idoso são fundamentais para que possamos mobilizar auxílio necessário para que esse idoso seja acompanhado pela equipe (psiquiatra e psicólogo) que conduzirá o tratamento. Esse tema é de grande relevância, tendo em vista que os idosos apresentam sinais atípicos de depressão, que fogem à tradicional tristeza e apatia e em muitos casos os pacientes sequer são capazes de perceber que podem estar e um quadro depressivo.

Vamos então aos sinais de alerta:

1. Dor excessiva: a dor é uma das queixas mais comuns nos idosos com depressão, surgindo tipicamente de forma exagerada e envolvendo múltiplos sistemas (gastrointestinal, neurológico, musculo-esquelético).

2. Hipocondria: Preocupação excessiva com seu estado de saúde, pensamento exagerado em doenças.

3. alteração do sono e do apetite: Ocorre com frequência insônia e anorexia, o que leva frequentemente a perda de peso que pode ser importante. Alguns apresentam aumento de apetite.

4. Pensamento recorrente de suicídio

5. Lentificação do raciocínio

6. Dificuldade de memória e concentração: muitas vezes é subvalorizado pelo estigma de que idosos “perdem a memória”.

7. Falta de ar

8. Irritabilidade e ansiedade

9. Má digestão

10. Diarreia ou constipação

Para auxílio ao tratamento da depressão, uma série de abordagens na Nutrição pode ser realizada. Sabe-se que nosso cérebro produz substâncias chamadas de neurotransmissores que controlam inúmeras funções cerebrais. Dentre os neurotransmissores que auxiliam no processo de depressão estão a serotonina e o GABA. A serotonina é capaz de dar ao cérebro sensação de bem-estar, além de regular o nosso humor.

A produção de serotonina endógena pode ser afetada, tanto pelos alimentos que ingerimos, quanto pelo nosso ecossistema intestinal.

O primeiro local que nós nutricionistas podemos atuar é justamente na microbiota intestinal. Pesquisadores têm manipulado a microbiota intestinal e verificado conexões entre este ecossistema e funções cerebrais normais (por exemplo, cognição, emoção, memória) ou estados patológicos (por exemplo, transtornos de ansiedade e de humor, depressão e distúrbios de desenvolvimento neural). Muitas alegações são feitas sobre relações causais entre a microbiota intestinal e o comportamento humano e é provável que a suplementação com probióticos (em especial Bifidobactérias) e fibras prebióticas parecem diminuição significativa nos escores de ansiedade-depressão, aumentando a produção de neurotransmissores, como o GABA e do precursor de serotonina, o 5-hidroxitriptofano, melhorando a condição mental em pacientes idosos, principalmente.

Em relação à alimentação, sabe-se que para a produção cerebral da serotonina há necessidade de "matérias primas" (chamadas de cofatores) fundamentais para sua síntese, como exemplos: o aminoácido triptofano, os minerais magnésio e cálcio, além das vitaminas piridoxina e ácido fólico.

Vamos dar 06 dicas de como potencializar esses cofatores pela alimentação:

1. Incluir alimentos protéicos ricos em triptofano: o triptofano é um aminoácido essencial, ou seja, ele não é produzido naturalmente pelo corpo, devendo ser consumido através de alimentos. Ele é responsável pela produção de serotonina e de melatonina, neurotransmissores que atuam modulando o humor e o sono. Adicione em sua alimentação diariamente como carnes magras, peixes, leite e ovos, nozes, castanhas, chocolate amargo e tofu.

2. Adicionar na alimentação frutas ricas em triptofano: adicionar pelo menos duas porções de melancia, abacate, mamão, banana, tangerina ou limão.

3. Alimentos ricos em cálcio de boa disponibilidade: o cálcio é necessário para regulação da transmissão nervosa e da contração muscular, por isso, deve-se incluir alimentos lácteos de baixo teor de gorduras ou vegetais e sementes de alto teor de cálcio e pobres em oxalato e fitato, como brócolis.

4. Incluir alimentos fontes de magnésio: o magnésio é considerado um “relaxante natural”, pois modula o processo de contração de alguns músculos esqueléticos, dos vasos sanguíneos e do trato gastrointestinal, além de influenciar diretamente na produção e transporte de energia. Entre as fontes de magnésio estão o chocolate, castanhas, arroz integral e vegetais folhosos verdes.

5. Fontes de vitaminas de complexo B, como folato e piridoxina: As vitaminas do complexo B são as principais responsáveis pela saúde mental do ser humano, atuando de forma extremamente útil em casos de depressão e ansiedade. Inclua alimentos fontes de folato, como vegetais folhosos verdes e frutas frescas, em especial maçã e laranja, além de alimentos ricos em piridoxina, como cereais integrais, banana, tomate, abacate, espinafre, batata, aves e peixes.

6. Inclua fontes de ácido graxo Ômega-3: Assim como o triptofano, ácidos graxos ômega 3 são essenciais ao organismo. Além de auxiliar no tratamento de depressão, possuem ação anti-inflamatória e fortalecem o sistema imunológico. Inclua peixes de águas profundas como salmão, atum e bacalhau, ou grãos e sementes como soja, linhaça e chia.

 

O uso de plantas medicinais deve ser realizado com muita cautela, uma vez que devem ser observadas as medicações me uso pelo paciente, pois podem potencializar a ação dos medicamentos, provocando reações adversas. Os principais fitoterápicos utilizados no tratamento de depressão são: Erva de São-João (Hipérico), Kava-kava, Griffonia, Camomila, Melissa (Erva-cidreira).


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