Ácido graxo ômega-3 e Caquexia do Câncer

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Sumário

ômega-3

O ácido alfa-linolênico ou ômega-3 é um tipo de ácido graxo essencial, poli-insaturado, que origina o ácido eicosapentanóico (EPA) e o ácido docosaexaenoico (DHA). As principais fontes do ômega-3 são óleos de peixes e peixes de água fria e profunda, como salmão, cavala, arenque, sardinha, truta e atum.

Os eicosanoides são metabólitos dos ácidos graxos e são essenciais na modulação da resposta inflamatória do organismo. Existem os eicosanoides da série par, que são considerados pró-inflamatórios e os da série ímpar, que são considerados anti-inflamatórios, além de ter ação proliferativa menor, portanto menos favorável ao desenvolvimento e crescimento de células cancerosas.

O EPA é precursor de eicosasanóides da série ímpar, ou seja, com menor poder inflamatório. Já o DHA inibe a síntese e dificulta a ação dos eicosanoides da série par, aqueles com maior poder inflamatório. Por esse motivo são considerados moduladores da resposta inflamatória exacerbada.

Ômega 3 e Efeitos Colaterais

Efeitos colaterais relacionados à suplementação de ômega-3 em doses elevadas podem ser encontrados, entre eles aumento dos níveis de LDL-colesterol e piora do perfil glicêmico em diabéticos. Por esse motivo, para evitar riscos de sangramentos espontâneos a dose de EPA e DHA combinados não deve passar de 5g ao dia, e o EPA sozinho não deve passar de 1,8g por dia.

Considerando o impacto da inflamação na progressão do câncer, que também pode promover utilização inadequada de substratos energéticos, uma dieta rica em ômega-3 pode ser benéfica para os pacientes com câncer.

Estudos demonstraram que o EPA estabiliza o peso modulando algumas alterações metabólicas, como a redução da resposta inflamatória, pela diminuição da produção de citocinas pró-inflamatórias e redução da atividade do fator indutor de proteólise (PIF), e por isso são benéficos na prevenção e tratamento da caquexia do câncer.

Como a perda de peso induzida por câncer é resultado da ingestão inadequada de calorias, Gasto Energético de Repouso (GER) aumentado e alteração de mediadores metabólicos, o tratamento pode ser bem sucedido quando essas alterações são atenuadas, por isso a inclusão de um substrato metabolicamente ativo como o ômega-3 na dieta. O ômega-3 combate as alterações metabólicas relacionadas à perda de peso e massa magra induzida pelo tumor, seu uso em pacientes com câncer reduz a resposta inflamatória, atuando dessa forma na melhora do apetite e redução da degradação de massa muscular. Além disso, bloqueia a ação das substâncias produzidas pelo tumor e auxilia na resposta ao tratamento antineoplásico.

Os tumores produzem e liberam o PIF na circulação, que interage com a musculatura esquelética e induz a perda de massa corporal magra por mecanismos que envolvem a redução da síntese de proteínas e o aumento da degradação proteica. A ligação do PIF nos receptores na superfície das células da musculatura esquelética resulta na liberação do ácido araquidônico (AA) dos fosfolipídios das membranas, e este é metabolizado em prostaglandinas E2 (PGE2) e outros eicosanoides, que tem maior poder inflamatório. Com a ingestão de EPA, o conteúdo de AA da membrana celular é parcialmente substituído pelo EPA, reduzindo assim o potencial para a liberação dos mediadores eicosanoides de degradação de proteína.

Conclusões

A suplementação com ácidos graxos ômega-3 é uma das terapias que têm sido propostas na tentativa de reverter o catabolismo observado em uma grande porcentagem de pacientes com câncer e caquexia, por meio da atenuação da resposta inflamatória. Essa suplementação ajuda a reduzir a formação de citocinas pró-inflamatórias, favorecendo a tolerância metabólica dos substratos energéticos e atenuando o catabolismo proteico, com o intuído de melhorar o prognóstico de pacientes com câncer. De acordo com sociedades internacionais (ASPEN e ESPEN), devido ao efeito anti-inflamatório do ômega-3, a suplementação diária com 2g de EPA pode ajudar a estabilizar a perda de peso não intencional em pacientes com câncer.

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