Aleitamento Materno Interrompido - Como Orientar a sua Paciente

Aleitamento Materno Interrompido - Como Orientar a sua Paciente

Post do dia: 2018-04-13 09:29:10. Publicado por Equipe Nutmed Categoria: Novidades .

Como orientar a alimentação antes dos 6 meses em situações em que o aleitamento materno não é praticado ou é praticado parcialmente? Leia nosso artigo completo preparado especialmente para você da área Materno-Infantil! Boa Leitura!
 
 
 

 

Aleitamento Materno Interrompido - Como Orientar a sua Paciente

 

Nessa semana abordaremos uma situação clínica frequente em pediatria: o que fazer quando o aleitamento materno é interrompido, praticado parcialmente ou impossibilitado.

Existem condições nas quais as crianças não são mais amamentadas ao peito e não existe mais a possibilidade de reverter tal situação. Deste modo, cabe ao nutricionista orientar adequadamente os familiares e cuidadores, de forma a não comprometer o crescimento e o desenvolvimento desta criança.

Lembramos que as orientações devem ser adotadas apenas excepcionalmente, quando estiverem esgotadas todas as possibilidades de relactação, além de serem analisadas pontualmente, caso a caso.

Nos casos em que há necessidade de orientar as famílias sobre o preparo de leites artificiais (por exemplo, para mães HIV positivas), tal orientação deve ser feita de maneira individualizada e pelo nutricionista.

Diante da impossibilidade de ser oferecido o aleitamento materno, o profissional de saúde deve orientar a mãe quanto à utilização de fórmula infantil ou de leite de vaca integral fluido ou em pó. É importante que o profissional avalie a condição socioeconômica e cultural da família, assim como a situação de saúde da criança, antes de optar por uma destas alternativas.

 

 

Quais são as orientações que o nutricionista deve fornecer aos familiares?

 

O profissional de saúde deve orientar a mãe quanto aos procedimentos do preparo de leite de vaca integral com a diluição adequada para a idade, a correção da deficiência de ácido graxo linoleico com óleo nos primeiros quatro meses e a suplementação de vitamina C e ferro ou o preparo de fórmulas infantis de acordo com a idade e as recomendações do rótulo do produto.

A fórmula infantil industrializada consiste em alimento para fins especiais para pediatria, modificado para atender às necessidades nutricionais e para não agredir o sistema digestório do bebê não amamentado. São fórmulas nutricionalmente completas e estão disponíveis em drogarias e supermercados, além dos distribuidores de insumos de nutrição. Embora possuam custo mais elevado.

O custo elevado das fórmulas infantis possibilita que o consumo de leite de vaca no Brasil seja elevado nos primeiros seis meses de vida. Por isso, os nutricionistas e demais profissionais de saúde devem ter o conhecimento de como as mães devem ser orientadas no preparo de fórmulas infantis caseiras.

O leite de vaca “in natura”, integral, em pó ou fluido não é considerado alimento apropriado para crianças menores de um ano, pelo risco de anemia, além de apresentar várias inadequações na sua composição.

O consumo regular do leite de vaca integral por crianças menores de 1 ano pode também acarretar a sensibilização precoce da mucosa intestinal dos lactentes e induzir neles a hipersensibilidade às proteínas do leite de vaca, predispondo-os ao surgimento de doenças alérgicas e de micro-hemorragias na mucosa intestinal, o que contribui ainda mais para o aumento da deficiência de ferro.

Os sistemas digestório e renal dos lactentes são imaturos, o que os torna incapazes de lidar com alguns metabólitos de alimentos diferentes do leite humano. Para as crianças não amamentadas, deve-se oferecer água nos intervalos entre as refeições lácteas.

 

 

Como deve ser feita a diluição e reconstituição de leite de vaca para pacientes pediátricos menores de 4 meses em fórmulas infantis caseiras?

 

O leite de vaca deve ser diluído até os 4 meses de idade da criança por causa do excesso de proteína e eletrólitos, que fazem sobrecarga renal sobre o organismo do lactente.

Na diluição de 2/3 ou 10% (42 kcal), há deficiência de energia e ácido linoleico. Então, para melhorar a densidade energética, a opção é preparar o leite com 3% de óleo (1 colher de chá = 27 calorias).

O carboidrato fica reduzido, mas a energia é suprida e não é necessária a adição de açúcares e farinhas, que não são aconselhados para crianças menores de 24 meses. Portanto, até a criança completar 4 meses, o leite diluído deve ser acrescido de óleo, ou seja, 1 colher de chá de óleo para cada 100ml.

Após o bebê completar 4 meses de idade, o leite integral líquido não deverá ser diluído e nem acrescido do óleo, já que nessa idade a criança receberá outros alimentos.

 

A Reconstituição do leite deverá ser realizada de acordo com o produto utilizado, se em pó ou fluido. Observe as regras abaixo:

 

  • Leite em pó integral:

 

• 1 colher rasa das de sobremesa para 100ml de água fervida.

• 1½ colher rasa das de sobremesa para 150ml de água fervida.

• 2 colheres rasas das de sobremesa para 200ml de água fervida.

• Preparo do leite em pó: primeiro, deve-se diluir o leite em pó em um pouco de água fervida e, em seguida, adicionar a água restante necessária.

 

 

  • Leite integral fluído:

• 2/3 de leite fluído + 1/3 de água fervida.

• 70ml de leite + 30ml de água = 100ml.

• 100ml de leite + 50ml de água = 150ml.

• 130ml de leite + 70ml de água = 200ml

 

 

 

Mas qual o volume deve ser oferecido e o número de refeição por dia?

Deveremos sempre orientar que o colume a ser oferecido dependerá da capacidade gástrica da criança, de acordo com a variação de peso corporal da criança nas diferentes idades, conforme a tabela abaixo:

 

Tabela 1: Volume e frequência da refeição láctea para crianças não amamentadas, de acordo com a idade

 

Idade

Volume

Número de refeições por dia

Até 30 dias

Entre 60 e 120ml

De 6 a 8

De 30 a 60 dias

Entre 120 e 150ml

De 6 a 8

De 2 a 4 meses

Entre 150 e 180ml

De 5 a 6

De 4 a 8 meses

Entre 180 e 200ml

De 2 a 3

Acima de 8 meses

200ml

De 2 a 3

 

 

Fonte: BRASIL, 2012. Saúde da criança: crescimento e desenvolvimento. Brasília : Ministério da Saúde, 2012.  272 p (com adaptações).

 

 

 

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