Uso de Fitoterápicos na Nutrição Esportiva

Uso de Fitoterápicos na Nutrição Esportiva

Post do dia: 2020-12-02 17:57:00. Publicado por Equipe Nutmed Categoria: Novidades .

Sabe-se que a atividade física provoca aumento da produção de radicais livres e estes, por sua vez se correlacionam à fadiga muscular. Quanto mais intenso o exercício físico, maior é a associação com o aumento marcante do consumo de oxigênio e, consequentemente, a uma alteração dos sistemas antioxidantes. Dentre as fontes potenciais de radiciais livres, que podem ser ativadas no exercício, inclui-se a transferência de elétrons na cadeia mitocondrial, na via da degradação de purinas, infiltração de macrófagos e degradação das catecolaminas. Frente a isso, tem se buscado alternativas terapêuticas ao atleta, com destaque para os fitoterápicos, objetivando melhora no potencial antioxidante, de forma a prevenir lesões, fadiga muscular e aumento no desempenho esportivo.

De acordo com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), denomina-se fitoterápico o produto obtido de planta medicinal, ou de seus derivados, exceto substâncias isoladas, com finalidade profilática, curativa ou paliativa. Os fitoterápicos são regulamentados no Brasil como medicamentos convencionais e por isso devem apresentar critérios similares de qualidade, segurança e eficácia requeridos pela ANVISA para todos os medicamentos. Com relação à prática esportiva, alguns desses medicamentos vêm ganhando foco devido suas propriedades benéficas ao atleta.

Os fitoquímicos presentes nos fitoterápicos conferem melhor desempenho esportivo, aumentando força e resistência. Além disso, eles também podem atuar como importantes anti-inflamatórios, antioxidantes, auxiliando na recuperação pós-exercício combatendo a dor, na melhora do sistema imune e como coadjuvante no tratamento de lesões musculares.

Os principais mecanismos de ação de plantas medicinais e desempenho atlético são suportados pelas seguintes ações:

  • Adaptógenos;
  • Ergogênicos;
  • Moduladores metabólicos.

 

ADAPTÓGENOS


Adaptógenos são agentes que possuem a capacidade de melhorar a capacidade do organismo a se adaptar às situações de estresse. Um adaptógeno pode possuir ação bimodal (estimulando ou inibindo um sistema ou atividade). São consideradas adaptógenas em atividade física: 

GINSENG COREANO (Panax ginseng) 

Parte utilizada: Raiz

Mecanismo proposto: Estudos demonstram uma variedade de ações tanto sobre glândulas adrenais e o eixo hipotálamo-pituitária-adrenal (HPA). Em eixo cerebral ou HPA (hipotálamo-hipófise-adrenal), as saponinas do ginseng parecem estimular produção de ACTH e cortisol, sugerindo ginseng pode ajudar a potenciar uma resposta de estresse agudo. A administração de 2g de extrato seco de Panax ginseng, 3 vezes ao dia durante 8 semanas, promoveu aumento na duração do exercício até a exaustão em homens saudáveis. Uma menor dose de ginseng (1g/d) parece aumentar o consumo máximo de oxigênio e auxiliar no período de recuperação pós-exercício

DANSHEN (Salvia miltiorrhiza)

Parte utilizada: Raiz

Mecanismo proposto: A Tanshinona IIA é um dos constituintes mais abundantes da raiz de Salvia miltiorrhiza, com ações antioxidantes anti-inflamatórias em muitos modelos experimentais, como doenças cardiovasculares e cerebrovasculares em países asiáticos (Tan et al, 2011). A tanshinona IIA (Tan IIA) pode ser um novo agente terapêutico promissor para a lesão induzida pelo estresse oxidativo em doenças neurodegenerativas. Tan IIA parece eficaz para atenuação da extensão da formação de edema cerebral em resposta à lesão de isquemia em modelo animal. Verificou-se que o uso da combinação Panax ginseng e Danshen, a curto prazo, parece melhorar endurecimento vascular tardio induzido por exercício de corrida em declive agudo. O uso de Danshen antes de um exercício agudo excêntrico poderia atenuar a rigidez arterial.

GINSENG INDIANO (Withania somnifera)

Parte utilizada: Raiz 

Mecanismo proposto: Planta medicinal de uso tradicional em Medicina Ayurvédica. Possui atividade antiestresse e anabólica semelhante ao Panax ginseng. In vivo (modelo animal) - alteração em glicemia e em níveis de cortisol (efeito glicocorticóide-like). Sugere-se que o uso de ashwagandha pode estar associada com aumentos significativos na massa muscular e força, logo, a ashwagandha pode ser útil em conjunto com um programa de treinamento de resistência. As propriedades adaptogênicas de ashwagandha levantam a possibilidade do uso como agente eficaz porque a tensão do exercício pode ser vista como uma forma do estresse, com desempenho físico humano realçado como a resposta de esforço.

MODULADORES METABÓLICOS


A Modulação metabólica é realizada a partir de fitoquímicos derivados do metabolismo da célula vegetal, que atuarão nos pontos críticos do metabolismo e reações bioquímicas, de complementar à ação hormonal, de forma otimizar e potencializar os resultados, de forma efetiva. Entre os principais problemas associados à disfunção metabólica, destacam-se:

  • Resistência à insulina, processo inflamatório subclínico e excesso de peso;
  • Dislipidemias, especialmente hipertrigliceridemia e hipercolesterolemia;
  • Disfunção endotelial, com o aumento da pressão arterial e risco de aterosclerose e trombose, doenças cardiovasculares e síndrome metabólica;
  • Redução da inflamação silenciosa, do estresse oxidativo e da glicação.

Os principais moduladores metabólicos em desporto são:

LARANJA AMARGA (Citrus aurantium)

Parte utilizada: Frutos

Mecanismo proposto: Segundo Arbo (2008), o componente ativo desta planta é a psinefrina, conhecida também como oxedrina, que tem efeito sobre o metabolismo e influencia na saciedade e diminuição da motilidade gástrica. A p-sinefrina tem algumas semelhanças estruturais com efedrina, norepinefrina e epinefrina. No entanto, devido às diferenças estruturais, a p-sinefrina exibe propriedades de ligação ao receptor adrenérgico marcadamente diferentes. Aumenta a termogênese pela ligação a receptores adrenérgicos β-3, resultando em um aumento na capacidade do organismo de mobilizar tecido adiposo, que são ainda metabolizadas para produção de energia. Atletas que receberam sinefrina ou sinefrina associaida à cafeína aumentaram o desempenho em exercício de resistência (repetições totais, carga de volume) sem aumentar o lactato sanguíneo ou avaliação de esforço percebido. A adição de cafeína aumentou a potência média e a velocidade do desempenho em séries de agachamento. Estes resultados indicam que a suplementação com sinefrina ou sinefrina associada à cafeína podem aumentar a resistência muscular local durante o exercício de resistência. A p-sinefrina foi incluída no programa de monitorização da Agência Mundial Antidopagem, embora a informação científica sobre os seus efeitos sobre o desempenho e no bem-estar dos atletas seja escassa.

LARANJA MORO (Citrus sinensis)

Parte utilizada: Frutos

Mecanismo proposto: O suco de laranja vermelha contém quantidades elevadas de vários compostos incluindo polifenóis, flavanonas, antocianinas, ácidos hidroxicinâmicos e ácido ascórbico, promovendo elevada capacidade antioxidante. A ingestão de laranja vermelha (especialmente o suco) parece regular o ganho de peso corporal, aumentar a sensibilidade à insulina e diminuir os triglicérides e colesterol total. Parece promover melhora significativa na esteatose hepática induzindo a expressão de receptor de PPAR-α e o seu gene alvo, a acilCoA-oxidase, que é uma enzima chave da oxidação lipídica. A suplementação com Laranja Moro parece promover menor concentração de malonaldeído induzida pelo exercício extenuante, promoveu menor redução de vitamina C e promoveu menor ativação do sistema de hipoxantina / xantina, ou seja, parece promover proteção celular à hipóxia e aos mecanismos de reoxigenação.

GARCINIA (Garcinia cambojia)

Parte utilizada: Frutos

Mecanismo proposto: A Garcinia cambogia é uma planta originária das florestas do Camboja, sul da África e Polinésia. Essa fruta contém, em sua casca, ácido hidroxicítrico (HCA), de composição similar ao ácido cítrico, ao qual se tem atribuído papel importante no metabolismo dos ácidos graxos, carboidratos e inibição do apetite. Os constituintes com ação na obesidade são lactonas hidroxicítricas (HCA) e fibras (pectinas, predominantes na polpa do fruto). O HCA inibe a ação da ATP citratoliase, inibindo lipogênese. O mecanismo de ação pelo qual o HCA promove a diminuição da lipogênese, está relacionado com a inibição da clivagem do citrato, pela enzima ATPcitrato desidrogenase. Ao inibir a clivagem o HCA impede a liberação de acetil-CoA, substrato necessário para a síntese dos ácidos graxos, gerando um aumento do glicogênio hepático, diminuindo assim o apetite e o ganho de peso. A suplementação com HCA aumenta a taxa de síntese de glicogênio no músculo esquelético humano exercido e melhorou a sensibilidade à insulina pós-refeição. Revisão recente de KIM et al (2016) de estudos com HCA em atletas observou ação diminuição de do quociente respiratório e aumento da oxidação de lipídios com doses de 250mg de HCA em pacientes submetidos a exercícios ergométricos/60min 40%VO2 máxima.

ERGOGÊNICOS


Agentes ergogênicos englobam todo e qualquer mecanismo fisiológico, nutricional ou farmacológico que seja capaz de melhorar a performance nas atividades esportivas. Grande destaque é dado aos agentes com atividade esteroide-like. Os agentes ergogênicos mais estudados em fitoterapia aplicada ao desporto são: 

TRIBULUS (Tribulus terrestris)

Parte utilizada: Fruto

Mecanismo proposto: A escassez de dados em seres humanos impossibilitam mensurar com exatidão o quanto o Tribulus poderia afetar o desempenho físico humano. Considerando um número relativamente baixo de estudos conduzidos sobre a influência do tribulus nos atletas, especialmente no que se refere ao efeito sobre o desempenho e o estado androgênico, deve-se ressaltar a falta de evidência para mostrar um efeito estimulador do uso de tribulus nas propriedades biomédicas esperadas em humanos, bem como definir doses posológicas seguras. Existem dois estudos que confirmam efeitos benéficos após tratamento com produtos farmacêuticos contendo TT e outros componentes. Após 20 dias de suplementação com o suplemento à base de "Tribulus", o poder muscular anaeróbio e aláctico e a testosterona sanguínea aumentaram significativamente entre homens jovens, após dose diária de 625 mg de extrato seco de tribulus, 3x ao dia.

MUCUNA (Mucuna pruriens)

Parte utilizada: Leguminosa

Mecanismo proposto: Tem sido usado para apoio ao tratamento de doenças degenerativas, como a doença de Parkinson, visto que é fonte dietética de L-DOPA (L-3,4-dihidroxifenilalanina), cuja função mais importante da L-DOPA é atuar como precursora do neurotransmissor dopamina, bem como das catecolaminas epinefrina e norepinefrina. Além de ter efeitos positivos em pacientes com doença de Parkinson, verificou-se que L-DOPA estimula a GH efetivamente. Dado o efeito estimulante de GH, sugere-se que a Mucuna pruriens poderia promover impacto positivo nas concentrações de GH séricos em homens saudáveis em atividade física.

FENO GREGO (Trigonella foenum graecum)

Parte utilizada: Sementes

Mecanismo proposto: O componente principal deste extrato é o aminoácido 4-hidroxiisoleucina (4-OH-Ile). A suplementação crônica de 4-OH-Ile sob a forma de fenugreek tem mostrado resultados promissores no alívio dos sintomas de diabetes. A 4-hidroxiisoleucina parece promover efeito insulinotrópico no armazenamento de glicogênio, estudos observaram aumento da ressíntese em 67%, durante uma recuperação de quatro horas após exercício exaustivo quando o fenogrego foi adicionado a carboidratos. Perspectivas futuras - uso do feno grego como modulador de testosterona.

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