Obesidade na Síndrome de Down e a Importância do Papel do Nutricionista

Obesidade na Síndrome de Down e a Importância do Papel do Nutricionista

Post do dia: 2018-12-03 13:01:28. Publicado 03/12/2018 por Prof. Esp. Luciana Carvalho Dias Categoria: Nutrição Clínica .

Uma alimentação saudável é primordial para saúde de qualquer pessoa, mas na Síndrome de Down, o acompanhamento nutricional atua como estratégia indispensável contra o número expressivo de portadores na faixa da obesidade. As características fenotípicas relacionadas à síndrome e o estilo de vida desses indivíduos contribuem para o ganho progressivo de peso ao longo da vida.

Conhecendo melhor a Síndrome de Down:

A Síndrome de Down é uma anomalia cromossômica resultante de um erro genético derivado, na maioria dos casos, pela não-disjunção ou falha na separação correta do par de cromossomos 21, sendo também conhecida como trissomia do cromossomo 21.  

Tal evento pode ocorrer tanto no gameta feminino (óvulo) quanto no masculino (espermatozóide), contendo, atipicamente, uma cópia extra do cromossomo 21. Quando a fecundação acontece, o resultado é a formação de um zigoto anormal, com total de 47 cromossomos ao invés de 46, resultado das três cópias do cromossomo 21 presentes nas células do indivíduo, gerando diversas alterações no desenvolvimento físico, motor e cognitivo ao portador.

Fonte: Movimento Down

A Síndrome de Down foi a primeira síndrome definida clinicamente como de origem cromossômica, descoberta por John Langdon Down em 1866. Afeta 1 a cada 800 recém-nascidos em todo o mundo, sendo a alteração cromossômica mais comum em humanos e a principal causa de deficiência intelectual na população. No Brasil, nascem cerca de 8 mil crianças por ano com Síndrome de Down.

Relação entre Obesidade e Síndrome de Down

Os portadores da síndrome de Down fazem parte de uma população com características fenotípicas específicas, através de estudos, são descritos com frequência o excesso de peso e obesidade, sendo apontado, com maior tendência, valores mais elevados de IMC quando comparado com adultos saudáveis.

Com base aos dados mais recentes da literatura, cerca de 45% dos homens e 56% das mulheres com Síndrome de Down apresentam excesso ponderal pela classificação do IMC.

Obesidade e Síndrome de Down: Fatores intrínsecos e extrínsecos

Os mecanismos que explicam a prevalência de obesidade e excesso de peso em indivíduos com Síndrome de Down ainda não estão completamente elucidados na literatura. Contudo, diferentes estudos sugerem que a taxa de metabolismo basal reduzida, a elevada prevalência de hipotiroidismo, a ingestão alimentar inadequada e o sedentarismo, são apontados como possíveis fatores etiológicos.   

Taxa Metabólica Basal Reduzida:

Na trissomia do cromossomo 21, observa-se uma taxa metabólica basal inferior quando comparada a população saudável tanto em adultos quanto em jovens. Estudos sugerem que o menor gasto energético do organismo seja resultado do baixo percentual de massa livre de gordura identificado em indivíduos com Síndrome de Down.

Hipotireoidismo:

A população de Síndrome de Down apresenta uma prevalência de hipotiroidismo maior em relação aos adulto sem a síndrome. O diagnóstico de hipotiroidismo primário congênito também é elevado, com incidência de 1 a cada 141 nascidos vivos.

Como consequência da baixa produção dos hormônios Tri-iodotironina (T3) e Tiroxina (T4), manifestações clínicas do hipotireoidismo contribuem de maneira direta e indireta no ganho de peso na Síndrome de Down, como:

- redução da taxa metabólica basal

- sonolência

- atraso no crescimento

- fraqueza

- parestesia

- hipotonia  

- cansaço

Por isso, é necessário avaliar regularmente a função tireoidiana desse indivíduos, como forma de prevenir o excesso de peso e a obesidade.  

Ingestão Alimentar Inadequada:

 

Atrasos nas habilidades alimentares podem ser identificadas nos primeiros anos de vida da criança com Síndrome de Down, como a dificuldade de deglutição e sucção.

A protusão lingual, a cavidade oral pequena, a dentição tardia e/ou inadequada, a congestão nasal, são descritas como características específicas da síndrome, que podem interferir,  principalmente, no consumo alimentar adequado durante a  infância.

Sedentarismo:

Em alguns casos, o indivíduo com Síndrome de Down pode apresentar dificuldade em praticar atividade física, pois, desde ao nascer, devido à hipotonia muscular presente, há uma menor flexibilidade do portador e interesse em atividades físicas, o que pode contribuir para o estilo de vida sedentário. Além disso, a alta prevalência de cardiopatias congênitas observada na população com Síndrome de Down também atua restringindo a prática de esportes e exercício de alta intensidade. Embora possam existir limitações na vida do portador, é importante orientar e encorajar a prática regular de atividade física adaptada as habilidades individuais e a condição clínica presente.   

O papel do Nutricionista e os Desafios da Conduta Nutricional na Síndrome de Down

É fundamental a atuação do Nutricionista na prevenção da obesidade para que esses indivíduos tenham uma maior qualidade de vida, devido à maior vulnerabilidade da população com Síndrome de Down, reduzindo assim, o risco de comorbidades, como: doenças cardiovasculares, hipertensão arterial, dislipidemia, diabetes melittus tipo II, etc.

Além da tendência à obesidade, o portador com Síndrome de Down pode apresentar diversas condições clínicas, como, problemas funcionais e estruturais do trato gastrointestinal, imunodeficiência, cardiopatias, hipotireoidismo, atraso de crescimento, entre outros.  

Portanto, é necessário que o Nutricionista não apenas incentive uma alimentação saudável, mas adapte às condições clínicas específicas do portador de Síndrome de Down, iniciada preferencialmente desde a infância, com oferta de alimentos nutritivos e apropriados ao seu desenvolvimento.

Quer conhecer melhor sobre as especificidades da conduta nutricional na Síndrome de Down? Então, venha fazer o curso de atualização aqui na NUTMED sobre Alimentação e Síndrome de Down: uma Abordagem Prática!

Conteúdo programático:

  1. Nutrigenômica: como a epigenética influência na modulação dos genes trissômicos e como os micro-RNA’s controlam a expressão gênica.
  2. Gestação Down: como a alimentação pode ajudar no neurodesenvolvimento.
  3. Amamentação e introdução alimentar: como ajustar a alimentação levando em consideração a hipotonia muscular, refluxo e necessidade nutricional na imunodeficiência primária e casos de cirurgia cardíaca.
  4. Curvas de crescimento: avaliação do crescimento especifico para o perfil da SD
  5. Constipação e o manejo nutricional na SD
  6. Alergias alimentares:APLV e sua incidência na SD.
  7. Intestino: microbiota e sua influência na absorção de nutrientes e imunidade.
  8. Doença celíaca:como a imunodeficiência influência no desenvolvimento da doença.
  9. Hipotiroidismo: como melhorar o funcionamento da tireóide através da alimentação.
  10. Estresse oxidativo: alimentos antioxidantes são suficientes?
  11. Metais pesados e deficiência de detoxificação:como prevenir e   auxiliar nesse processo.
  12. Obesidade e Síndrome metabólica
  13. Protocolo de atendimento nutricional e relação de exames

Revisão: Nutricionista Clara Machado


Posts Relacionados

Consultoria e Assessoria em Nutrição nos Serviços de Alimentação: Por que investir nessas áreas?

Consultoria e Assessoria em Nutrição nos Serviços de Alimentação: Por que investir nessas áreas?

O crescente consumo de refeições realizadas fora do ambiente domiciliar atrelada &agr

→ Leia mais...
Personal Diet: Por onde começar?

Personal Diet: Por onde começar?

Personal Diet é caracterizado por um modelo de atendimento domiciliar, que se baseia em um a

→ Leia mais...
Técnico em Nutrição e Dietética: quem é esse profissional?

Técnico em Nutrição e Dietética: quem é esse profissional?

Sempre que se fala em alimentação, logo vem à mente da maioria das pessoas a f

→ Leia mais...
Prof. Esp. Luciana Carvalho Dias

Prof. Esp. Luciana Carvalho Dias

Nutricionista Clinica Materno Infantil, especialista em Nutrição Clínica Funcional pela Universidade Cruzeiro do Sul – (VP Centro de Nutrição funcional), professora de pós graduação na NUTMED e IEPSIS na área de Nutrição Obstetrícia, Pediatria e Inclusão Social. Atua em consultório particular e também como palestrante através de seu projeto Alimentando Famílias, que visa apoiar com informações e suporte psicológico as famílias na mudança dos hábitos alimentares.

→ Veja o Perfil Completo