Uso de nutracêuticos em Nutrição Esportiva Nutrição Personalizada

Uso de nutracêuticos em Nutrição Esportiva Nutrição Personalizada

Post do dia: 2018-03-12 17:03:36. Publicado por Profa. Dra Leticia Azen Categoria: Nutrição Clínica .

O que é um Nutracêutico? 

Nutracêutico é um termo usado para descrever um nutriente ou composto não nutricional que incluem componentes de alimentos, plantas medicinais ou agentes naturais, que pode ter sido purificado ou concentrado, e que é usado para a melhoria da saúde, prevenindo ou tratando uma doença.

Os nutracêuticos ocupam uma faixa estreita entre produtos farmacêuticos e nutrientes, mas, na realidade, sua posição é muito mais complexa. Os Nutracêuticos, que podem ser prescritos pelos profissionais da nutrição, podem melhorar o rendimento do atleta e ao mesmo tempo prevenir lesões.

Exemplos de nutracêuticos comumente utilizados para prevenção de lesões é o ômega 3, os glicosaminoglicanos (GAG) e a Coenzima Q10. Estes costumam ser consumidos regularmente pelo praticante de atividade física e possuem atividade anti-inflamatória, antioxidante e poderiam diminui a dor pós-treino.

 

Uso de ômega 3 e Desempenho Atlético

A suplementação pré-treino com cápsulas de ácidos graxos poli-insaturados W3 (PUFAS W3) contendo 660 mg EPA e 440 mg de DHA ao longo de 3 semanas, em ciclistas, promoveu efeitos benéficos sobre o desempenho cardiovascular e na adaptação ao exercício. A melhoria da função endotelial foi induzida por um aumento da produção endógena de óxido nítrico (NO) associada a uma dieta rica em PUFAS. Um aumento na liberação de NO em resposta à suplementação de PUFA W3 pode desempenhar um papel central nos mecanismos adaptativos cardiovasculares e no desempenho do exercício.

A suplementação de PUFAS W3, contendo 375 mg EPA e 510 mg DHA diários, parece melhorar a função neuromuscular periférica e os aspectos da fadiga em pacientes com atividade física.

  • Áreas terapêuticas de interesse: saúde articular, cardiovascular e mental.

  • Classificação legal: sem restrição

  • Dose recomendada: 2,5 g de óleo de peixe/dia

  • Formulações disponíveis: óleo, softgel (cápsula oleosa)

  • Efeitos adversos: aumento de colesterol total e LDL-C em pacientes com hipercolesterolemia.


Proteção Articular: uso de Glicosamina e Condroitina

A glicosamina é um composto aminado, que consiste na união de uma unidade de glicose com o ácido aminoácido glutâmico. Encontra-se naturalmente no corpo e está presente em quase todo o tecido humano, especialmente na cartilagem, tendões e ligamentos. É um precursor dos glicaminoglicanos da cartilagem articular (GAG), que forma a maior parte do tecido da cartilagem. As formas sulfato, cloridrato e N-acetil são usualmente usadas para fins terapêuticos.

A glicosamina não é encontrada em quantidades significativas na dieta habitual e deve ser sintetizada pelo organismo. Essa habilidade diminui com a idade e predispõe o corpo a doença articular degenerativa ou artrite. A biodisponibilidade da glicosamina em humanos é de 44% após a ingestão oral e a excreção urinária durante as primeiras 24 horas mostrou ser 1,2% da dosagem (7,5g).

  • Áreas terapêuticas: saúde articular e de tecido conjuntivo

  • Classificação legal: sem restrição; pode ser obtido sob prescrição do profissional

  • Dose oral recomendada: 1500 mg/dia

  • Formulações disponíveis: cápsulas, patch, gel, comprimido efervescente, pó e comprimido de liberação sustentada

 

O sulfato de condroitina é um GAG de sequências alternativas de unidades de ácido urônico e N-acetilgalactosamina de diferentes formas sulfatadas. É comercialmente obtido a partir de cartilagem bovina. A biodisponibilidade após administração oral de 3g mostrou uma semi-vida de 363 minutos e biodisponibilidade de 13%.

  • Áreas terapêuticas: saúde de tecido conjuntivo.

  • Classificação legal: sem restrição

  • Dose oral recomendada: 1200 a 1500mg/dia

  • Formulações disponíveis: cápsulas e pó.

 

O uso de 1500mg de sulfato de glicosamina por seis meses, por via oral, parecem ser eficientes no tratamento sintomático de pacientes com osteoartrite de joelho.

 

Uso de Suplementos Antioxidantes na Prática Esportiva - atuação na prevenção de lesões

​Sabe-se que a atividade física gera radicais livres e esta produção promove sinais químicos que promovem adaptação metabólica, por exemplo, aumentando a atividade mitocondrial e a quantidade de enzimas antioxidantes. Quando a produção de radicais livres é excessiva, o estresse oxidativo (desequilíbrio entre radicias livres e antioxidantes) é potencialmente danoso, lesando biomoléculas. O controle adequado dos radicais livres auxilia no manejo da lesão gerada pela atividade esportiva excessiva. Os antioxidantes tem este papel, e se utilizados de forma racional representariam uma boa intervenção para prevenir lesões.​

Um dos principais nutracêuticos antioxidantes em Nutrição Esportiva é a Coenzima Q10. A Coenzima Q10 (CoQ10) é um poderoso antioxidante que ocorre naturalmente no organismo e está localizada principalmente nas mitocôndrias, células de miocardio, no fígado e rins. É um transportador de elétrons na síntese mitocondrial de ATP, e tem efeitos estabilizadores da membrana celular. Estudos clínicos indicam que CoQ10 pode ser útil como tratamento para a hipertensão, pois causa uma diminuição da resistência periférica total, além de ser um antagonista do superóxido vascular. Os tipos de alimentos que contêm CoQ10 são muito diversos, incluindo peixes gordurosos, cereais, aves e vegetais, particularmente espinafre.

Especula-se que o aumento da produção de radicais livres durante o exercício físico poderia diminuir o nível de CoQ10 no tecido muscular e afetar negativamente o desempenho físico, pelo menos em indivíduos que realizam treinamento físico extenuante. Uma relação positiva entre a capacidade de exercício e a concentração de CoQ10 no músculo vasto lateral foi relatada em homens fisicamente ativos. Em estudo recente (Gökbel et al., 2010), demonstrou-se que o suplemento de CoQ10 100 mg/dia por 8 semanas melhorou o número de repetições em exercícios supra-máximos. Esses resultados foram atribuídos à contribuição no metabolismo aeróbio e o papel-chave da CoQ10 no metabolismo energético durante os episódios repetidos de exercícios supra-máximos.

  • Áreas terapêuticas: saúde cardiovascular, prevenção do câncer e poder antioxidante

  • Classificação legal: sem restrição

  • Dose recomendada: 100 a 360 mg/dia

  • Formulações disponíveis: Tablets, cápsula, gotas, gel, goma e softgel

 

CONCLUSÕES & OBSERVAÇÕES FINAIS

Os nutracêuticos apresentam benefícios claros na população que os consome, muitas vezes aumentando o efeito de medicamentos, entretanto os mesmos não são isentos de efeitos colaterais.

 

REFERÊNCIAS:

  1. Żebrowska A, Mizia-Stec K, Mizia M, Gąsior Z, Poprzęcki S. Omega-3 fatty acids supplementation improves endothelial function and maximal oxygen uptake in endurance-trained athletes. Eur J Sport Sci. 2015;15(4):305-14. doi: 10.1080/17461391.2014.949310. Epub 2014 Sep 1.

  1. Lewis EJ, Radonic PW, Wolever TM, Wells GD. 21 days of mammalian omega-3 fatty acid supplementation improves aspects of neuromuscular function and performance in male athletes compared to olive oil placebo. J Int Soc Sports Nutr. 2015 Jun 18;12:28. doi: 10.1186/s12970-015-0089-4. eCollection 2015

  1. Eraslan A, Ulkar B. Glucosamine supplementation after anterior cruciate ligament reconstruction in athletes: a randomized placebo-controlled trial. Res Sports Med. 2015;23(1):14-26. doi: 10.1080/15438627.2014.975809.

  1. Belviranli M, Okudan N. Well-Known Antioxidants and Newcomers in Sport Nutrition: Coenzyme Q10, Quercetin, Resveratrol, Pterostilbene, Pycnogenol and Astaxanthin. In: Lamprecht M, editor. Antioxidants in Sport Nutrition. Boca Raton (FL): CRC Press/Taylor & Francis; 2015. Chapter 5


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Profa. Dra Leticia Azen

Profa. Dra Leticia Azen

Graduada em Nutrição pela UERJ; Doutora em Ciências Nutricionais pela UFRJ; Mestre em Ciência da Motricidade Humana pela UCB; Especialista em Nutrição em Esportes pela Asbran; Pós-graduada em Fisiologia do Exercício pela FAMATh; Docente da Pós-graduação em Ciência da Performance Humana pela UFRJ desde 2008; Ex-pesquisadora do Instituto de Pesquisa da Capacitação Física do Exército (IPCFex) (2006-2009); Ex-docente da Universidade Estácio de Sá (2000-2010); Autora dos livros “Estratégias de Nutrição e Suplementação do Esporte” (3ª ed., Manole, 2015) Autora do capítulo "Recursos Ergogênicos na Preparação Física (In: DANTAS, Estélio Henrique Martin. A Prática da Preparação Física. 6a ed.,Roca, 2014). 19 anos de experiência no atendimento nutricional de atletas e praticantes de atividade física

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