Cardápio: 10 Etapas na Elaboração em Serviços de Alimentação

Compartilhe!

Sumário

A palavra CARDÁPIO é um termo unicamente brasileiro criado no século XIX por Antônio de Castro Lopes, um filólogo que era avesso aos estrangeirismos e que por isso criou na época o termo CARDÁPIO, que tem em sua etimologia o uso de duas palavras do Latim: charta que significa folha escrita, papel para escrever e daps, que significa banquete, festim ou mesmo refeição. A palavra origina-se do temo francês MENU (pronuncia-se mê-ni).

O cardápio é a tradução culinária das preparações e da forma de apresentação das refeições e alimentos a serem servidos. O responsável pela elaboração de um cardápio precisa se lembrar em todas as etapas que o resultado final, ou seja, a comida da qual o comensal se servirá, é o resultado direto e visível de seu trabalho. É o cardápio que demonstrará aos olhos de todos, leigos ou especialistas em alimentação, a qualidade e a preocupação desse profissional com seus clientes.

As regras para a elaboração de cardápio têm-se modificado nos últimos tempos em função das mudanças ocorridas no tipo de atendimento ao cliente e na preocupação com a saúde e qualidade de vida. Há uma tendência do serviço self service, apresentação de grande número de pratos, diversificação dos tipos de preparações, (aqui se incluem os pratos vegetarianos, veganos, sem glúten e sem lactose) e aspecto visual mais atrativo. Há de se considerar também a tendência dos pratos light e a redução de lipídios e sódio na alimentação.

Observadas essas considerações descritas vamos às etapas de elaboração ou montagem de um cardápio.

1ª Etapa


Estabeleça o tempo de cardápio. Um período considerado razoável é o planejamento mensal, principalmente para clientes cativos, aqueles que consumirão a refeição na mesma Unidade Produtora de Refeições diariamente. A comida repetindo-se semanalmente pode desagradar o comensal antes dele provar, independente do sabor, pois ele já sabe as preparações e imagina os seus sabores antes mesmo de entrar no restaurante. Mesmo com o planejamento mensal o cardápio não deve se repetir. Algumas preparações mais consumidas ou preferidas podem e devem aparecer devido à grande aceitação, mas o cardápio deve ser refeito a cada mês, integralmente.

2ª Etapa


Elabore uma lista extensa com todas as preparações que são utilizadas como prato principal, opção, guarnição, salada, sobremesa. Assim, fica mais fácil conseguir encontrar os pratos que mais se encaixam no cardápio. Essa lista pode ser elaborada com base nas fichas técnicas já existentes, o que é interessante, pois já lhe dá o custo da preparação, ou em novas receitas que serão acrescentadas ao fichário da unidade.

3ª Etapa


Crie uma planilha mensal única (que contemple todas as semanas e dias do mês) de forma que se possa registrar e visualizar todo o cardápio. A utilização de várias planilhas dificulta a identificação das repetições dos ingredientes, dos alimentos, ou das formas de preparo. Devem ser registrados todos os componentes do cardápio.

cardapio mensal Cardápio

4ª Etapa


Definindo o tempo de cardápio, tendo a lista de preparações em mãos e a planilha elaborada agora é hora de definir as carnes nos respectivos dias da semana. A primeira definição deve ser o tipo de carne: bovina, aves, peixe ou suína. Não é necessário nesta etapa definir técnicas de preparo ou cortes. Aqui se estabelece a frequência mensal de cada tipo, de acordo com o orçamento da Unidade, o contrato e hábitos alimentares dos clientes. Deve-se fazer esse procedimento em todos os quadrinhos, cada um com o dia do mês em questão. A conferência para verificar se os tipos de carne estão bem distribuídos nas semanas é fundamental para eliminar a repetição de um mesmo tipo de carne em dias subsequentes.

5ª Etapa


Após a conferência é necessário, então, definir quais as preparações se encaixam melhor nos dias da semana, com técnicas de preparo, tipo de carne, corte, existência ou não de molho etc. Nesta etapa utiliza-se a lista de preparações e o receituário padrão da Unidade. Se houver duas ou mais opções de carne, é necessário o cuidado de oferecer carnes de diferentes tipos, alternando as técnicas de preparo.

6ª Etapa


Com a definição detalhada das carnes, o próximo passo é a definição do complemento, acompanhamento ou guarnição. Este deve combinar com as carnes em relação às características nutricionais e sensoriais, como combinação de cor, sabor, aroma e textura. Deve-se lembrar que nos restaurantes em que são servidos dois tipos de carne e uma guarnição, esta deve servir de acompanhamento para as duas preparações (Ex.: filé ao molho madeira/frango assado/purê de batata baroa). Nos casos em que uma das opções de carne é uma preparação clássica, o acompanhamento deverá também ser adequado para a outra opção (estrogonofe/linguado ao forno/ batata palha). Nos casos em que Uma guarnição é apropriada apenas para determinado prato, como no caso do pirão, se houver outra opção de carne, esta deverá vir com seu próprio acompanhamento. Ex.: peixe com pirão/picado de carne com legumes. Algo importante a ser considerado é o número de complementos disponíveis. Se o mínimo forem dois, um deles poderá ser sempre legumes ou verduras.

7ª Etapa


A dobradinha arroz e feijão. Apesar de ser constante a oferta, para quebrar a monotonia deve haver uma variação do tipo e no tempero do arroz e do feijão. Há uma variedade de arroz para preparações específicas como o arroz arbóreo (para risotos), arroz patna (próprio para pilafs), arroz negro (muito utilizado na cozinha natural, vegetariana etc.) entre outros. Outra alternativa é temperar um percentual do arroz de maneira diferente da tradicional oferecida, seja com temperos, seja com alimentos como cenoura, brócolis, couve etc. Nos restaurantes com maior número de pratos quentes é conveniente oferecer sempre um arroz integral além do arroz e uma outra leguminosa diferente do feijão servido diariamente. Há uma variedade de feijões utilizados nas mais diferentes regiões do país (preto, branco, vermelho, carioca, mulatinho, fradinho, roxinho, jalo etc.), além da lentilha, grão-de-bico, soja, ervilha e fava. Depois de escolhido o tipo de leguminosa, o tempero a ser utilizado é fundamental, podendo variar entre cebola e alho, apenas alho, com louro, alecrim, pimenta, bacon, linguiça, pedaços de carne, pedaços de legumes elou verduras, entre diversas outras misturas que podem ser testadas e utilizadas.

8ª Etapa


Chegou a hora das saladas. Ao inserir saladas no cardápio deve-se verificar se os seus principais ingredientes não estão sendo utilizados pelas preparações de carne e seus acompanhamentos. Este cuidado é importante, pois evita que ingredientes que não são bem aceitos se repitam ou mesmo que apareçam em vários pratos, demonstrando uma compra exagerada do produto e necessidade de utilização que burle o planejamento inicial As saladas, que têm sido cada vez mais valorizadas pelos consumidores, devem apresentar apelo visual, agregando sabor e despertando a vontade de consumo. Podem ser de diversos tipos: de folhosos, crua, cozida, mista, simples, incrementada, com frutas, exótica, com molho, sem molho. A depender do número diário de saladas oferecidas o planejamento poderá ser da seguinte forma: 1 salada (variar diariamente o tipo), 2 saladas (1 de folhosos e outra variável), 3 saladas (1 de folhosos, 1 de legumes e outra variável), 4 saladas (1 de folhosos, 1 de legumes cru, 1 de legumes cozidos e 1 variável).

9ª Etapa


Le grand finale. A sobremesa finaliza e valoriza o cardápio. Poucas pessoas resistem ao chamado da sobremesa no final, e há quem realize as refeições principalmente por causa dela. Portanto, não se pode esquecer seu encanto. Mas nem só de açúcar se faz uma sobremesa. As frutas estão cada vez mais valorizadas em nossos Guias e Programas Alimentares e cabe a você nutricionista incentivar o seu consumo. A questão não é eliminar as sobremesas elaboradas ou deixar apenas frutas, mas melhorar a forma de oferecer as frutas, aumentar a variedade, escolhê-las bem para que combinem com o cardápio, intercalar com uma maior percentual de oferta, manter uma oferta dupla (fruta e sobremesa elaborada) seguindo as determinações do PATI ou ainda, inserir frutas em maior quantidade nas preparações elaboradas, para que estas possam se tornar mais saudáveis. Com estratégias simples as sobremesas podem se tornar mais saudáveis: mamão à julienne com mel e castanhas; laranja picada com uva-passa e cereja; banana assada com canela.

10ª Etapa


Faça a revisão criteriosa do seu trabalho. Verifique as combinações, a variedade, as texturas, os cortes, as cores. Exerça a sua profissão. E lembre-se “O cardápio é o espelho da atuação do profissional”.

Curso de Pós-Graduação MBA em Gestão de Negócios de Alimentação EAD

Não perca a oportunidade de alavancar a sua carreira e aprender com os melhores! Venha ser aluno Nutmed/Ensine!

Venha estudar com os melhores!

Deixe um comentário

Veja também

Alimentação Coletiva
Alimentação Coletiva

Alimentação Coletiva: guia prático para nutricionistas que atuam ou desejam atuar em UAN

A alimentação coletiva é uma das áreas que mais empregam nutricionistas no Brasil. Ela está presente em hospitais, escolas, indústrias, restaurantes comerciais e refeitórios corporativo, sempre que uma equipe de nutrição precisa planejar, produzir e distribuir refeições para um grande número de pessoas ao mesmo tempo, mantendo qualidade nutricional, segurança sanitária e viabilidade financeira. Apesar

Leia mais »
Conservação de alimentos
Alimentação Coletiva

Conservação de Alimentos: Condutas Técnicas e Controle de Temperatura para Nutricionistas

A conservação de alimentos é uma etapa fundamental para preservar a qualidade dos alimentos e reduzir o risco de doenças transmitidas por alimentos (DTAs). Para o nutricionista, compreender os princípios envolvidos nesse processo é importante tanto para a atuação em unidades de alimentação e nutrição (UAN) quanto para a orientação de pacientes, serviços de alimentação

Leia mais »
Doenças Transmitidas por Alimentos
Alimentação Coletiva

Doenças Transmitidas por Alimentos (DTA): Protocolo Prático de Prevenção para Nutricionistas

As Doenças Transmitidas por Alimentos (DTA) representam um dos desafios mais persistentes e complexos para a saúde pública global, impactando diretamente a atuação do nutricionista em âmbitos clínico, hospitalar e de gestão. De acordo com dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 1 em cada 10 pessoas (600 milhões no mundo) adoece anualmente

Leia mais »
Cultura da Segurança dos Alimentos
Alimentação Coletiva

Cultura da Segurança dos Alimentos: O Papel do Nutricionista na Construção de Práticas Seguras

A Cultura da Segurança dos Alimentos é um elemento fundamental para garantir a oferta de alimentos seguros e proteger a saúde dos consumidores. Em um cenário em que as doenças transmitidas por alimentos (DTA) continuam a impactar milhões de pessoas anualmente, gerando importantes encargos econômicos e de saúde pública, o fortalecimento dessa cultura torna-se um

Leia mais »

Olá! Preencha os campos abaixo para iniciar a conversa no WhatsApp

Olá! Preencha os campos abaixo para iniciar a conversa no WhatsApp.