Ação dos Compostos Bioativos no Tratamento do Excesso de Peso

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Sumário

Compostos Bioativos

Ação dos Compostos Bioativos no Tratamento do Excesso de Peso

Definições Básicas sobre a OBESIDADE

A obesidade é uma doença complexa de etiologia multifatorial, com sua própria fisiopatologia, comorbidades e capacidades desabilitantes. Aceitar a obesidade como uma doença é fundamental para o seu tratamento. O tecido adiposo atualmente é um dos principais focos das pesquisas em obesidade, a partir de uma revolução no entendimento da função biológica desse tecido desde a última década.

O tecido adiposo humano é subdividido em tecido adiposo branco (TAB) e marrom (TAM). O TAB, localizado perifericamente nas regiões subcutânea e visceral, armazena energia na forma de triglicerídios e participa da regulação do balanço energético mediante processos de lipogênese e lipólise. Histologicamente, ele é composto por adipócitos, células do sistema imune, tecido conjuntivo, nervoso e vascular. O TAM, localizado no sistema nervoso central, apresenta função termogênica, é mais vascularizado, possui maior número de mitocôndrias e diminui com a idade.

O TAB, antes reconhecido como órgão passivo de energia, é considerado atualmente um importante órgão endócrino metabolicamente ativo. Ele expressa e/ou secreta, exclusivamente ou não, várias substâncias bioativas com ação local ou sistêmica. Essas substâncias são chamadas adipocinas e estão envolvidas em processos metabólicos, imunes e neuroendócrinos.

O excesso de tecido adiposo aumenta a produção de muitas adipocinas que promovem grande impacto em diversas funções corporais, como controle da ingestão alimentar e balanço energético, sistema imune, sensibilidade à insulina, angiogênese, pressão arterial, metabolismo lipídico e homeostase corporal, situações estas que estão fortemente correlacionadas com doenças cardiovasculares.

Dessa forma, melhor compreensão dos efeitos do tratamento multidisciplinar (atividade física, nutrição, psicologia e clínica) sobre o controle hormonal e de citocinas é um passo importante para desenvolvermos terapias mais eficientes.

Compostos bioativos e suas ações terapêuticas

Os Compostos bioativos (CBAs) não são denominados nutrientes, até o presente momento, por ainda não serem considerados essenciais ao crescimento e às funções vitais, necessitando de mais estudos a fim de evidenciar o potencial efeito desses compostos no organismo.

Compostos bioativos presentes nos alimentos e em fitoterápicos com propriedades anti-inflamatórias, antioxidantes, hepatoprotetoras entre outras, tornam-se indispensáveis para o controle do estado inflamatório crônico e da produção de radicais livres contribuindo para a redução do impacto clínico da obesidade, pois influenciam os mecanismos que envolvem a adipogênese, o metabolismo lipídico e equilíbrio energético.

Dentre os CBS, destacam-se os compostos fenólicos, tais como o resveratrol, encontrado em nozes e vinho tinto, e que tem sido investigado quanto à sua ação antioxidante, antitrombótica e propriedades anti-inflamatórias que inibem a carcinogênese e doença cardiovascular.

Outro exemplo são os compostos organulssufurados, presentes principalmente no alho e na cebola, são ricos em enxofre, e possuem ações anticarcinogênicas em modelos experimentais, bem como efeitos.

Um exemplo de composto bioativo auxiliar no tratamento do excesso de peso e de suas comorbidades é o polifenol catequina, presente no chá verde (Camellia sinensis). As catequinas, em especial a epigalocatequina galato possuem ações antioxidante, anti-inflamatória e hepatoprotetora. Além disso, o chá verde é rico no aminoácido L-teanina, não essencial ao ser humano, que possui a capacidade de modular o cortisol, auxiliando no comportamento de se alimentar, além do metabolismo energético.

Os compostos bioativos devem ser adicionados ao plano dietético do paciente, sempre respeitando a individualidade bioquímica do paciente e, para isso, o paciente deve ser avaliado integralmente pelo nutricionista.

Modulação da atividade inflamatória do excesso de peso com CBAs

Estudos mostram que dietas ricas em ácidos graxos poli-insaturados parecem diminuir a síntese de citocinas proinflamatórias e, consequentemente, aumentam a sensibilidade à insulina.

Um ponto importante a ser observado é o papel específico de cada ácido graxo essencial como mediador do processo inflamatório e da melhoria da sensibilidade à insulina. Um exemplo é o ácido graxo gama linolênico (W6-GLA). O ácido gama linolênico é encontrado no óleo de prímula e contribui com 5% a 10% do total de ácido graxo da composição do óleo. O GLA não é acumulado na membrana das células, até mesmo quando é fornecido pela dieta. Dessa forma, ele aumenta o conteúdo de seu derivado, o ácido di-homo-gama linolênico, que é um importante substrato para as enzimas ciclooxigenase e lipoxigenase, ocasionando o aumento de eicosanóides anti-inflamatórios com PGE1, TXA1, LTB3 e LTC3. A suplementação com GLA também resulta na diminuição da produção de eicosanóices proinflamatórios, como PGE2, LTB4 e LTC4. A suplementação com óleos ricos em GLA (> 2,4 g/dia) em indivíduos saudáveis leva a uma diminuição de IL-6, IL-1 e TNF-α pelos monócitos e à diminuição da proliferação dos linfócitos, sendo suficiente para mediar efeitos imunológicos em humanos, como a redução da resistência à insulina pela atividade inflamatória do tecido adiposo.

Como a obesidade é uma doença multifatorial e complexa, o nutricionista deve sempre observar que intervenções não planejadas podem atuar positiva ou negativamente nessa modulação funcional. É fundamental que o nutricionista conheça essas interações para que garanta a efetividade do tratamento e entenda que, muitas vezes, a resistência à perda de peso pode estar relacionada ao desequilíbrio funcional de muitos órgãos e tecidos associadas ao excesso de peso.

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