A Importância de uma Introdução da Alimentação Complementar Oportuna
A introdução da alimentação complementar representa um marco no desenvolvimento da criança e gera muitas dúvidas e insegurança aos pais. É um momento de vulnerabilidade nutricional visto que a demanda por conta do crescimento muitas vezes supera o consumo de nutrientes. Além disso, nesta fase, a criança está mais propensa a desenvolver certas intercorrências como alergias e intolerâncias alimentares, alteração de hábito intestinal (diarreia ou constipação intestinal), anemia e perda de peso.
Assim, a exposição a novos alimentos deve ser oportuna visando a uma boa formação dos hábitos alimentares e adequação nutricional. A definição do momento ideal para início da introdução de novos alimentos deve levar em consideração a maturidade fisiológica, neuromuscular da criança e as necessidades nutricionais.
Por volta dos seis meses de idade é provável que o bebê já apresente desenvolvimento motor e maturidade fisiológica, tendo desenvolvidos os reflexos necessários para a deglutição, sustentação do tronco e da cabeça e desenvolvimento do paladar. Nesse momento, a alimentação irá, além de suprir a demanda nutricional, estimular todos os sentidos, como:
- a visão, por meio de um prato colorido;
- o olfato, por meio de diferentes aromas;
- o paladar, pelos diferentes sabores;
- o tato, através do toque em diferentes texturas e consistências
Isto permite o desenvolvimento do indivíduo como um todo.
Algumas orientações necessárias nessa fase:
Consistência: no início os alimentos devem ser amassados com o garfo, nunca liquidificados ou peneirados, apresentando-se na forma de papas consistentes ou purês, pois apresentam maior densidade energética. Devem ser oferecidos em separado, evitando-se aquela “sopa”, na qual a criança não reconhecerá o sabor, textura e cor de cada alimento. Algumas famílias optam pela técnica do baby led weaning (BLW) que se baseia na oferta de alimentos em sua forma mais intacta e não na forma de papas ou purês. Um dos pilares centrais do método é que a transição alimentar é guiada pela criança, propiciando talvez maior independência e autonomia no processo. Contudo é fundamental a orientação de profissional capacitado para a utilização adequada da técnica.
Composição: a refeição deve conter alimentos de todos os grupos alimentares, sendo eles: cereais ou tubérculos, leguminosas, carnes, hortaliças (verduras e legumes) e frutas. Deve-se evitar o açúcar, alimentos açucarados e o sal.
Frequência: são necessárias exposições frequentes aos alimentos para uma melhor aceitação. É natural que inicialmente a criança rejeite, pois há uma grande mudança no padrão alimentar, que antes tinha como base uma alimentação líquida, pelo leite materno ou leite artificial. Em média são necessárias de oito a dez exposições para que ele seja aceito pela criança e muitos pais acham que essa rejeição inicial representa uma aversão permanente ao alimento e deixam de oferecê-lo. Além disso, é importante que a família não introduza vários alimentos de uma só vez, pois em caso de uma possível alergia alimentar a identificação do alimento alergênico fica mais difícil.
Quantidade: a quantidade ofertada incialmente é pequena e deve ser gradativamente aumentada. O baixo consumo inicial pode gerar angústia e incertezas aos pais e o nutricionista deve orientá-los, visto que este é um processo natural e merece paciência e atenção.
Segurança: a alimentação complementar deve ser segura do ponto de vista microbiológico, visto que a criança está vulnerável à diversas doenças. Assim, a higiene adequada de alimentos e utensílios é de fundamental importância para manutenção da qualidade do alimento oferecido. Além disso, é importante atentar para alimentos que possam causar algum tipo de engasgo como uva, milho, pipoca.
Converse com a família: a chave é a Paciência!
Para muitas famílias a introdução da alimentação complementar representa um processo desgastante e cansativo e a chave do sucesso depende de paciência, perseverança e adequado suporte profissional. Nesse sentido, todos os cuidadores da criança devem estar envolvidos contribuindo positivamente para a formação de bons hábitos alimentares. O papel do nutricionista é fundamental, propiciando uma introdução alimentar consciente e coerente com a realidade de cada bebê e de sua família.
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