A gestação é um período crucial na vida de uma mulher, marcado por uma série de transformações físicas e emocionais. A saúde materna durante a gravidez é fundamental para o desenvolvimento saudável do feto. Nesse contexto, as curvas de Ganho de Peso Gestacional (GPG) desempenham um papel crucial, fornecendo informações importantes para os profissionais de saúde acompanharem o progresso das gestantes.
No Brasil, a atualização dessas curvas tornou-se uma questão relevante, visando adaptar as recomendações às características específicas da população e promover uma abordagem mais individualizada e precisa. Este texto explorará a importância e os motivos por trás da atualização das curvas de ganho de peso gestacional no Brasil.
Por que houve atualização das Curvas?
Desde de 2000, as curvas antigas utilizadas no Brasil pelo Ministério da Saúde, como método de avaliação do estado nutricional, eram baseadas em populações chilenas e norte-americanas, entre elas, a curva chilinela Atalah et al e a Institute of Medicine (IOM), elas possuíam um perfil epidemiológico bem diferente da população brasileira. Dessa forma, as gestantes brasileiras necessitavam de uma avaliação nutricional que respeitassem as suas características.
Em agosto de 2022, as novas curvas para GPG foram oficialmente aprovadas pelo Ministério da Saúde do Brasil. Elas foram criadas a partir Consórcio Brasileiro de Nutrição Materno-Infantil (CONMAI), que envolveu a participação de 7.086 gestantes brasileiras, sendo embasada na análise de resultados provenientes de 21 estudos coordenados por pesquisadores de diversas instituições do Brasil, foram liderados pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e validados mediante a utilização de dados do Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (Sisvan) no período compreendido entre 2008 e 2021.
Quatro curvas de GPG cumulativo foram desenvolvidas com base na categoria de Índice de Massa Corporal (IMC) pré-gestacional. Essas curvas possibilitam a avaliação do ganho de peso em cada consulta de pré-natal, dependendo apenas da coleta de peso na consulta em questão e da medida do peso pré-gestacional.
Durante a concepção dessas curvas, os pesquisadores do CONMAI também evidenciaram a viabilidade do uso do peso pré-gestacional autorreferido para calcular o IMC e o GPG.
Este método simplificado permite uma avaliação eficaz do ganho de peso gestacional, utilizando informações acessíveis nas consultas pré-natais, tornando o acompanhamento mais prático e eficiente. A contribuição do CONMAI destaca não apenas a criação das curvas, mas também a flexibilidade no uso de dado autorreferido, facilitando a aplicação prática dessa ferramenta na monitorização do peso gestacional.
Como utilizar as Curvas atualizadas?
Na primeira consulta, calcula-se o IMC pré-gestacional através da fórmula IMC pré-gestacional = peso pré-gestacional (kg)/altura (m)2 . O peso utilizado é aquele relatado pela gestante. Caso a gestante não tenha conhecimento desse dado, o peso registrado no início da gestação (até oito semanas) ou o peso usual da gestante deve ser levado em consideração.
O IMC pré-gestacional deve ser classificado de acordo com os pontos de corte propostos pela OMS apresentados pela imagem a seguir (baixo peso, eutrofia, sobrepeso e obesidade). Com base nessa categorização, deve-se selecionar a curva de monitoramento apropriada.
Após registrar o peso durante a consulta, o GPG (kg) deverá ser calculado por meio da fórmula: GPG = peso na visita – peso pré-gestacional. O resultado obtido deve ser posicionado na curva selecionada (valor do ganho por idade gestacional).
A partir da marcação, é viável verificar se o ganho está dentro das faixas recomendadas (partes mais escuras do gráfico) ou se está acima/abaixo das recomendações.
É importante orientar a paciente em relação ao aumento/redução do ganho de peso para que alcance os valores recomendados.
Quais são as mudanças na prática?
Cada grupo recebe uma orientação específica, com um ganho de peso mais significativo indicado para gestantes com baixo peso e um ganho de peso menor recomendado para aquelas com obesidade conforme o quadro 1.
A distribuição do aumento de peso não é uniforme ao longo de toda a gestação. Com o objetivo de simplificar esse acompanhamento, foram elaboradas curvas de ganho de peso específicas para cada um dos quatro grupos de gestantes, levando em consideração a sua idade gestacional.
Adicionalmente, foram incorporados o ganho de peso esperado por trimestre e o ganho de peso total ao longo da gestação para cada um dos quatro grupos.
Em síntese, a atualização das curvas de GPG no Brasil representa um passo significativo em direção a uma abordagem mais personalizada e abrangente da saúde materna. Considerando as mudanças demográficas, o estilo de vida contemporâneo e as diferenças regionais, essas curvas buscam oferecer orientações mais precisas, promovendo o bem-estar tanto da gestante quanto do feto. A abordagem multidisciplinar e a adaptação às particularidades locais são aspectos cruciais desse processo, garantindo que as recomendações sejam relevantes e eficazes em toda a diversidade do território brasileiro. Ao priorizar a saúde materna, a atualização das curvas de ganho de peso gestacional contribui para uma gravidez mais segura e um início saudável para a vida do bebê.
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Referência bibliográfica
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