Flavonoides na Modulação do Tecido Adiposo

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Sumário

Flavonoides

Atualmente, a obesidade é apontada como um dos maiores problemas de saúde pública do mundo, sendo comumente acompanhada por resistência à insulina e aumento do estresse oxidativo e da expressão de marcadores inflamatórios desencadeado pelo acúmulo de tecido adiposo, conhecido hoje como um importante órgão endócrino metabolicamente ativo.

Vários estudos sugerem que os compostos bioativos podem desempenhar um papel importante na prevenção e no controle da obesidade, visando-os como terapia coadjuvante ao tratamento convencional. Nesse sentido, destaca-se os flavonoides pelos seus potenciais benefícios à saúde e pela capacidade destes compostos em atuar na modulação do tecido adiposo.

Flavonoides como Potenciais Compostos Bioativos na Estratégia Terapêutica na Obesidade


Os flavonoides são um grupo diversificado de compostos polifenólicos, sendo uma classe de metabólitos secundários amplamente encontrados no reino vegetal, caracterizados como pigmentos responsáveis por conferir cores em diversas flores, frutas e folhas, além de atuar na proteção contra radiação U.V e fitopatógenos. Hoje, mais de 5000 flavonóides diferentes já foram isolados e identificados a partir de fontes vegetais, sendo subdivididos em seis grupos: flavonas, flavanonas, isoflavonas, flavonóis, flavanóis e antocianinas.

Além das atividades farmacológicas presentes nos flavonoides, que inclui ação anti-inflamatória, anti-trombótica, antitumoral, antiviral, anti-aterosclerótica e anti-diabética, estudos recentes têm demonstrado efeitos anti-adipogênicos destes compostos. Nos últimos anos, cresceu o interesse em modular a adipogênese como estratégia terapêutica contra a obesidade. Recentemente, demonstrou-se que os flavonoides regulam várias vias e atuam em vários alvos moleculares específicos do tecido adiposo.

Hoje sabemos que o tecido adiposo humano é subdividido em tecido adiposo branco (TAB), responsável por armazenar energia na forma de triglicerídeos e participar da regulação do balanço energético mediante processos de lipogênese e lipólise, e em tecido adiposo marrom (TAM), com função de transformar energia em calor e manter a temperatura corporal por termogênese sem tremores no frio.

Novos estudos revelaram a presença de TAM metabolicamente ativo em adultos, já que antes acreditava-se que era encontrado apenas em recém-nascidos, com sua progressiva redução até o desaparecimento na primeira infância. Os adipócitos marrons apresentam múltiplas mitocôndrias, além da presença de uma proteína especifica na membrana mitocondrial interna, a UCP-1 (Uncoupling Protein-1), sendo ela responsável por conferir ao TAM a propriedade termogênica. Essa capacidade de dissipação de energia torna o TAM um alvo bastante promissor para o controle da obesidade, uma vez que a presença dele correlaciona-se negativamente com IMC, percentual de gordura e nível de glicose plasmática.

De acordo com a literatura atual, os flavonoides representam os grupos de fitoquímicos mais pesquisados ​​em relação aos seus efeitos no controle de peso. Em estudos recentes, vários tipos de flavonoides foram capazes de induzir ativação do TAM e promover o escurecimento do TAB, levantando o seu potencial em aumentar o gasto de energia através da termogênese sem tremores.

Efeitos dos Flavonoides na Adipogênese


Como flavanóis presentes no chá verde (Camellia sinensis), as catequinas (epicatequina, epigalocatequina, epicatequina galato e epigalocatequinagalato) se destacam pelo efeito anti-adipogênico relatado em diversos estudos. In vintro, foi demonstrado que as catequinas derivadas do chá verde reduz a adipogênese por meio de regulação negativa de PPARG2, C/EBPα e GLUT4. Também foi observado que as catequinas aumentam a expressão gênica do UCP-1 no TAM de camundongos. Além disso, mulheres saudáveis com uso de bebida rica em catequinas exibiram um aumento da densidade de TAM quando comparado com grupo controle.

Uma das principais flavonas, a luteolina pode ser encontrada em cenouras, pimentões, aipo, azeite, hortelã-pimenta, tomilho, alecrim e orégano. Em estudos, a suplementação de luteolina mostrou efeitos promissores na inibição da adipogênese, através da promoção da diferenciação de adipócitos brancos em adipócitos marrons pela ativação da via AMPK/PGC-1α. Além disso, a suplementação de luteolina reduziu a massa de gordura e o peso corporal em camundongos alimentados com dieta rica em gordura, através da regulação positiva de genes termogênicos do TAM (Ucp1, Ppgc1α, Pparα, Cidea e Sirt1) e do TAB (Tmem26, Cd137 e Cited1).

As antocianinas, como um tipo de flavonoide, são pigmentos solúveis em água que responsáveis pelas cores azul, roxa e vermelha em vegetais como berinjela e uva e repolho roxo. A antocianina mais abundantemente ingerida é a cianidina-3-O-glicosídeo. Em estudos, os efeitos anti-adipogênicos da cianidina-3-O-glicosídeo foi observado através do tratamento in vitro, por meio da diferenciação de pré-adipócitos, aumentando a expressão de genes mitocondriais (TFAM, SOD2, UCPs), proteína UCP-1 e marcadores de adipócitos bege (CITED1 e TBX1). Já a suplementação de cianidina-3-O-glicosídeo em camundongos obesos levou ao aumento do gasto de energia e a melhora da atividade do TAM, além de induzir a formação de adipócitos beges e aumentar a expressão de UCP-1 e o número e função mitocondrial no TAB.

Diante da complexidade do tratamento da obesidade, o uso de compostos bioativos em conjunto com plano dietético vem ganhando cada vez mais destaque. Embora sejam bastantes promissores os resultados de estudos envolvendo o uso de flavonoides na modulação do tecido adiposo, vale ressaltar que ainda é necessário mais ensaios clínicos para confirmar a eficiência e a segurança dos flavonoides em humanos.

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Bibliografia Consultada:

HALPERN, Bruno; MANCINI, Marcio Correa; HALPERN, Alfredo. Brown adipose tissue: what have we learned since its recent identification in human adults. Arquivos Brasileiros de Endocrinologia & Metabologia, v. 58, n. 9, p. 889-899, 2014.

KANG, Hye Won et al. Flavonoids, potential bioactive compounds, and non-shivering thermogenesis. Nutrients, v. 10, n. 9, p. 1168, 2018.

KAWSER HOSSAIN, Mohammed et al. Molecular mechanisms of the anti-obesity and anti-diabetic properties of flavonoids. International journal of molecular sciences, v. 17, n. 4, p. 569, 2016.

KHALILPOURFARSHBAFI, Manizheh et al. Differential effects of dietary flavonoids on adipogenesis. European journal of nutrition, v. 58, n. 1, p. 5-25, 2019.

MELE, Laura et al. Dietary (Poly) phenols, brown adipose tissue activation, and energy expenditure: A narrative review. Advances in Nutrition, v. 8, n. 5, p. 694-704, 2017.

ZHANG, Xuejun et al. Flavonoids as inducers of white adipose tissue browning and thermogenesis: signalling pathways and molecular triggers. Nutrition & metabolism, v. 16, n. 1, p. 47, 2019.

Nutricionista Clara Machado

 

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