5 Estratégias para o Manejo do Estresse Emocional Crônico

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Sumário

O termo estresse se tornou muito comum nos dias atuais e ganhou vários significados. Hoje em dia é bem difícil não receber semanalmente, e me arrisco em dizer DIARIAMENTE, pacientes se dizendo estressados. Nos atendimentos, percebemos que existe uma certa confusão no uso do termo e por esse motivo, precisamos estar com o olhar bem atento durante à anamnese para perceber bem o paciente.

O estresse não é uma emoção, mas sim qualquer adaptação requerida do organismo frente à uma situação adversa. Entretanto, há pacientes que se dirão “estressados” quando na verdade tiveram um dia ruim, ou mesmo estão passando por um momento de tristeza isolado. Por outro lado, haverá casos em que o paciente não irá relatar que está estressado, mas ao longo da anamnese, vamos observando seu comportamento, seus relatos e suas reações e percebemos que se trata de um caso de estresse crônico. E é justamente esse estresse crônico que nos preocupa!

Embora nos dias atuais o estresse seja considerado um grande vilão (e o é mesmo!), é importante lembrarmos que por causa dele estamos vivos até hoje. No passado a causa do estresse era a luta de vida ou morte contra animais, por exemplo. Dependíamos dele para liberarmos adrenalina e cortisol, para que pudéssemos lutar ou fugir. Porém, no mundo de hoje, os “animais” que temos que lutar são bem distintos, indo desde expectativas frustradas na família, demandas que consideramos injustas no trabalho, pressão pré-vestibular a assaltos. Com isso, o nosso corpo é preparado (hormonalmente falando) para uma luta ou fuga que de fato não acontece e após a situação estressora, sentamos para assistir TV ou mesmo sentamos na nossa mesa de trabalho.

Dados da Organização mundial da saúde (OMS) dão conta de que 90% da população mundial é afetada pelo estresse. Assustador, não?! Fica fácil de entender o motivo pelo qual recebemos tantos casos para atendimento. Uma pesquisa recente nos Estados Unidos conduzida pela Universidade de Harvard mostrou que 44% dos adultos empregados afirmam que seu trabalho afeta sua saúde. No Brasil, A International Stress Management Association (ISMA-BR) realizou uma pesquisa com profissionais das áreas de finanças, indústria e saúde de São Paulo e Porto Alegre e revelou que 69% dos participantes disseram que o estresse no trabalho era a sua maior fonte estressora.

Como não dá para deixar de trabalhar, o estresse então é inevitável? A resposta é SIM! Então, vamos parar de orientar as pessoas que não se estressem, porque se trata de uma orientação inútil já que o estresse é uma resposta fisiológica incontrolável. Vale lembrar que os efeitos do estresse crônico não se restringem ao cérebro, como muitos pensam. Os efeitos deletérios são diversos e nos mais diferentes sistemas, tais como:

  • Sistema Cardiovascular: aterosclerose e AVEs
  • Sistema Endócrino: resistência à insulina, elevação de cortisol e adrenalina
  • Sistema Gastrointestinal: intestino irritável, azia, gastrtite, refluxo e disbiose
  • Sistema Reprodutivo: impotência, amenorreia, abortos de repetição.
  • Sistema Imunológico: défict importante, com quadros infecciosos recorrentes
  • Depressão, Déficit Cognitivo e de Memória
  • Gatilhos para Doenças Reumatólogicas

O que fazer então? O que precisamos fazer é dar condições para que o organismo consiga lidar da melhor forma com o estresse, para que os efeitos sejam os menos devastadores possíveis. Trocando em miúdos, precisamos oferecer as “armas” certas para a “guerra”. E nesse contexto o nutricionista é peça fundamental! Vamos então de dicas práticas para o seu atendimento?

Priorize uma alimentação anti-inflamatória e antioxidante

Estresse crônico significa um indivíduo com elevação crônica dos hormônios do estresse (adrenalina, noradrenalina e cortisol) além de elevação crônica das citocinas pró-inflamatórias (TNF-a, IL-1 e IL-6). Isso faz com que o indivíduo cronicamente estressado seja um indivíduo cronicamente INFLAMADO. Por isso, precisamos ajudá-lo com uma alimentação que atenue esse componente inflamatório. Como toda inflamação gera produção de radicais livres de oxigênio, temos que associar uma alimentação antioxidante também. Seguem alguns exemplos práticos de como fazer isso:

Estresse

Um cuidado importante é respeitar as dificuldades do paciente em mudar os hábitos alimentares, pois uma mudança radical demais pode gerar ainda mais estresse. Sensibilidade é tudo nesse momento e seguir devagar pode gerar mais resultados sustentáveis dos que mudar tudo de uma vez em um primeiro atendimento.

Trate a disbiose do seu paciente

Estresse crônico causa disbiose e isso é um fato! Portanto, precisamos tratá-la incluindo probióticos diariamente por pelo menos 4 meses. O ideal é variar o probiótico, iniciando com multicepas, podendo intercalar com cepa única. Bebibas probióticas como Kefir e Kombucha também são bem-vindas e devem ser incluídas. Após os 4 meses de “ataque” para tratamento da disbiose, podemos espaçar o uso dos probióticos para dias intercalados, mantendo as bebidas probióticas diariamente e aumento de prebióticos através da alimentação. Particularmente não gosto de suplementar prebióticos pois muitos pacientes cursam com distensão importante.

Aumente oferta de alimentos fonte de triptofano, magnésio e B6

O triptofano é o aminoácido que se combina com a B6 e gera serotonina. A serotonina é importante para melhora da qualidade do sono e redução de ansiedade. O magnésio estimula os receptores GABA no cérebro, além de ter ação anti-inflamatória. Os alimentos que devem ser priorizados são:

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Estimule o parassimpático do seu paciente

O sistema nervoso parassimpático faz o contraponto do simpático, ou seja, é o responsável por estimular ações que permitem ao organismo responder a situações de calma, gerando a desaceleração dos batimentos cardíacos, diminuição da pressão arterial e a diminuição da adrenalina. Tudo que nosso paciente estressado precisa, não é?! Como podemos fazer isso na prática?

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Estimule a prática de atividade física

É um aliado bem importante na atenuação do estresse. Porém é fundamental que a escolha da atividade seja algo que o paciente goste de fazer. Não teremos resultado a longo prazo caso ele faça uma atividade que não gosta. Pode ser um tiro que sairá pela culatra e piorar e estresse.

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