O Papel do Nutricionista Ambulatorial nos Cuidados Paliativos no Câncer

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Sumário

Diante da perspectiva do cenário mundial, o câncer é a segunda causa de morte, tratando-se de um complexo problema de saúde pública, atingindo cerca de 20 milhões de novos casos estimados até 2025. No Brasil, cerca de 30% dos novos casos evoluem ao óbito em período de um ano. Nos últimos anos, com os grandes avanços da ciência e tecnologia, houve a evolução dos protocolos de tratamentos, porém as taxas de cura ainda são baixas. Nesse contexto, os pacientes considerados terminais, que estão fora de possibilidades terapêuticas curativas, passam a receber os cuidados paliativos.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) descreve o cuidado paliativo como “uma abordagem que melhora a qualidade de vida dos pacientes e seus familiares frente a problemas associados à doença terminal, através da prevenção e alívio do sofrimento, identificando, avaliando e tratando a dor e outros problemas físicos, psicossociais e espirituais”. O cuidado paliativo compreende também o cuidado nutricional do paciente oncológico, uma vez que o Nutricionista tem papel fundamental na melhora da qualidade de vida desses indivíduos.

Nutricionista Ambulatorial na Melhora da Qualidade de Vida de Pacientes Oncológicos em Cuidados Paliativos

A assistência ambulatorial nos cuidados paliativos do paciente oncológico permite que o Nutricionista faça o acompanhamento nutricional numa fase em que a doença, mesmo que significativa, ainda possui pouco impacto sobre o perfil funcional do indivíduo. O objetivo do cuidado nutricional no estágio avançado do câncer deve ser, acima de tudo, a promoção da qualidade de vida, através do estado nutricional, o alívio dos sintomas associados à patologia e efeitos colaterais do tratamento e a partir do atendimento nutricional  humanizado.

  • Estado Nutricional 

Os pacientes oncológicos avançados normalmente apresentam progressiva perda de peso, associada à ingestão insatisfatória de alimentos e à desnutrição. Sabe-se a mudança de peso e composição corporal levam à alteração da imagem corporal, que impacta negativamente a qualidade de vida, uma vez que perda de peso involuntária remete ao indivíduo a aproximação da morte, falta de autonomia, debilidade física e mental, assim como, o não poder ou não conseguir alimentar-se, significa uma piora do estado geral. Dessa forma, o Nutricionista deve assegurar a ingestão alimentar, conforme as necessidades e recomendações nutricionais, por meio da orientação da dieta, da avaliação e monitoramento do estado nutricional.

  • Controle de Sintomas e Efeitos Adversos

Os sintomas gastrointestinais causados pela própria patologia e os efeitos colaterais ao tratamento antineoplásico (náuseas, vômitos, saciedade precoce, mucosite e úlceras orais, xerostomia, disgeusia, etc) quando não controlados, modificam a rotina e dificultam a realização de atividades de vida diária do paciente, prejudicando também o seu consumo alimentar. Com isso, tais sintomas e efeitos adversos devem ser minimizados a fim de poupar sofrimento tanto ao paciente quanto da sua família, possibilitando a ele uma sobrevida digna e adiando ao máximo a perda de autonomia e qualidade de vida.

  • Atendimento Nutricional Humanizado

Como o ato de se alimentar vai além da prescrição de calorias e nutrientes para o paciente, a busca pela melhora da qualidade de vida também inclui o respeito e a valorização de todo o significado que o alimento carrega, pois a alimentação não desempenha apenas um papel fisiológico, mas também está diretamente ligada aos aspectos emocionais, religiosos, socioculturais e de bem-estar e de prazer. Além disso, fazer restrições na alimentação do paciente em cuidados paliativos, é negar um dos meios de expressão da vontade do indivíduo. Por isso, é importante levar sempre em consideração os desejos e preferências alimentares do paciente durante o acompanhamento nutricional, como forma de oferecer mais autonomia sobre sua alimentação, assim como, conforto e prazer.

Diante disso, o Nutricionista tem papel fundamental na abordagem paliativa, colaborando junto a equipe multidisciplinar com a melhora da qualidade de vida, na redução da perda de peso a fim de prolongar a sobrevida, no controle dos sintomas e efeitos colaterais, como também na humanização do atendimento nutricional, contribuindo para redução da angústia e sofrimento tão peculiares ao paciente oncológico e de sua família.

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Bibliografia Consultada:

MAGALHÃES, Eloá Siqueira; DE OLIVEIRA, Aline Estevanato Marques; CUNHA, Natália Baraldi. Atuação do nutricionista para melhora da qualidade de vida de pacientes oncológicos em cuidados paliativos. Arquivos de Ciências da Saúde, v. 25, n. 3, p. 4-9, 2018.

MATSUMOTO, Dalva Yukie. Cuidados paliativos: conceitos, fundamentos e princípios. Manual de cuidados paliativos ANCP, v. 2, p. 23-24, 2012.

World Health Organization. Palliative care for older people: better practices. Denmark: WHO; 2011. Disponível em: http://www.euro.who.int/__data/ assets/pdf_file/0017/143153/e95052.pdf

Nutricionista: Clara Machado

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