Perguntas e Respostas para Indicação Segura de Fitoterápicos na Pediatria

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Sumário

O uso de plantas medicinais nas suas diferentes formas farmacêuticas, visa à utilização da planta no seu todo e não apenas, de princípios ativos isolados. As plantas medicinais constituem uma alternativa segura e eficaz para o tratamento de distintas afeções, sendo cada vez maior o número de pessoas que recorrem ao seu uso como complemento da medicação habitual.

As plantas medicinais quando usadas corretamente apresentam diversas vantagens comparativamente aos medicamentos convencionais, tais como:

  • Menor possibilidade de efeitos colaterais que os medicamentos de síntese química;
  • Menor risco de toxicidade para o organismo;
  • Não resistência a antibióticos;
  • Produtos metabolizados e excretados não nocivos para o ambiente.

Deste modo, a Fitoterapia pode contribuir com o tratamento e prevenção de doenças comuns da infância, uma vez que esta prática integrativa oferece um favorável quociente risco/benefício.

 

A partir de qual idade podemos indicar o uso de plantas medicinais em pediatria?

A idade permitida para utilização das plantas medicinais varia com relação a cada espécie de planta medicinal, bem como da forma de utilização.

Plantas utilizadas para tratamento de lesões de pele, assaduras e infecções cutâneas são indicadas para crianças acima de 2 ano de idade, já fitoterápicos para auxílio às doenças respiratória, doenças gastrointestinais e inflamações de garganta, só podem ser indicadas para crianças acima de 3 anos, dependendo da planta.

Nos casos de constipação intestinal, plantas ricas em antraquinonas só podem ser utilizadas para maiores de 12 anos.

 

Quais as principais formas de apresentação de fitoterápicos em Pediatria?

A utilização é feita geralmente sob a forma de chás, gargarejos, inalações, cataplasmas e banhos. A grande dificuldade do uso de plantas medicinais em Pediatria reside na administração por via oral, de formas sólidas, principalmente, como comprimidos e cápsulas, pela dificuldade de deglutição e possibilidade de engasgos e até mesmo sufocação. Por isso, o emprego da Fitoterapia em Pediatria pode ser viabilizada, em uso interno na forma de bebidas (infusos, decoctos, sumos e sucos) e xaropes, ou na forma de pó para preparo de bebidas.

 

Quais as plantas mais utilizadas na população pediátrica?

Das plantas medicinais mais utilizadas em Pediatria no Brasil, temos: erva doce, boldo, hortelã, erva cidreira, alho, cebola, gengibre, camomila, manjericão, barbatimão, eucalipto, limão, agrião, goiabeira, canela, alecrim, pitanga, guaco, poejo, maracujá, acerola, couve, chicória, malva, alfavaca, laranja, romã e cabacinha.

Em sua maioria, são utilizadas como agentes estimuladores do apetite, fontes alimentos funcionais e veículo de ácido fólico, ferro e vitamina C, além de agentes sedativos e ansiolíticos, antiflatulentos e de apoio às doenças de aparelho respiratório, como bronquite, asma, rinossinusite e antiviral.

Muitas plantas medicinais (a camomila, a erva-doce e a hortelã, por exemplo) são tradicionalmente usadas em crianças, sendo seu conhecimento passado de geração para geração, independente da própria indicação que o profissional de saúde faça no atendimento da criança.

 

Quais os cuidados devemos ter na indicação de Fitoterápicos em Pediatria?

Quando utilizadas corretamente as plantas medicinais oferecem um tratamento seguro e eficaz (desde que a qualidade do produto seja garantida), com uma ampla gama de dosagem, risco mínimo de toxicidade e sem efeitos colaterais graves.

Na administração de plantas medicinais às crianças, cuidados especiais devem ser tomados em três aspectos:

  1. dosagem
  2. qualidade do produto
  3. segurança

Em pediatria, é necessária uma formulação específica que permita uma dosagem ajustada à idade como uma forma aceitável de administração para uma correta adesão. Geralmente, as doses que são organizadas nos livros e lâminas sobre fitoterapia são calculadas para adultos (entre 65 e 70 kg de peso), portanto devem ser ajustadas de acordo com o peso da criança. A título de orientação, em crianças de 11 a 12 kg, recomenda-se 1/6 da dose recomendada para um adulto, e em uma criança com peso corporal superior a 35 kg pode ser administrada a metade da dose recomendada para adultos. Se levarmos em conta a idade, geralmente a partir de 12 anos, recomenda-se a dose de adulto; entre 6 e 12 anos, metade da dose, e para crianças de 4 a 6 anos, um terço da dose adulta. Crianças abaixo de 4 anos deverão ser analisadas caso-a-caso, na consulta de Nutrição, após avaliação criteriosa do crescimento e desenvolvimento.

É muito importante usar produtos padronizados, uma vez que a concentração de ingredientes ativos pode variar amplamente, dependendo de vários fatores, e as crianças são especialmente sensíveis aos efeitos produzidos pelas variações na dose.

Em geral, durante a lactação, recomenda-se não usar plantas medicinais devido à falta de estudos. Além disso, as diferenças que eles apresentam em relação aos adultos em termos do processo de absorção, distribuição, metabolismo e excreção devem ser levados em consideração. Por exemplo, espécies de plantas laxativas ou diuréticas podem provocar desidratação e desequilíbrio eletrolítico em crianças muito mais rapidamente do que em adultos.

Conclusão

Como se trata de um medicamento, é importante que os profissionais de saúde, e especialmente os nutricionistas que atuam em Saúde Materno-infantil, conheçam corretamente a fitoterapia como prática complementar no cuidado dos pacientes, para que possam orientá-los de forma segura.

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