Queixas do climatério: Nutrição como um tratamento alternativo

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Sumário

climatério

Nos consultórios de Nutrição, as queixas do climatério pelas mulheres estão cada vez mais presentes, visto que a população feminina acima de 40 anos vem crescendo, podendo alcançar em número as mulheres mais jovens nas próximas décadas, conforme a projeção realizada pelo IBGE.

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), o climatério corresponde ao período final da fase reprodutiva, que varia dos 40 aos 65 anos, sendo dividido em três fases: pré-menopausa, perimenopausa e pós-menopausa. Essa fase representa a transição da vida reprodutiva para a não reprodutiva, que antecede a menopausa, que somente é instalada após 12 meses consecutivos de amenorreia.

O climatério consiste no declínio progressivo e fisiológico da fertilidade da mulher, com decréscimo da função ovariana, dos níveis de estradiol e progesterona e aumento das gonadotrofinas hipofisárias. Tais alterações levam as inúmeras mudanças físicas, metabólicas e emocionais na mulher.

Os sinais e sintomas do climatério atingem entre 60 a 80% do público feminino. O início, a duração e a intensidade dos mesmos, variam de mulher para mulher, porém são alvos de queixas frequentes, que afetam diretamente a sua qualidade de vida, como:

  • Fogachos

  • Sudorese noturna

  • Secura vaginal

  • Incontinência urinária

  • Alteração de libido

  • Dispareunia

  • Insônia

  • Alterações de humor

​Embora a terapia de reposição hormonal (TRH) seja o tratamento mais eficaz no controle e na redução das manifestações clínicas do climatério, muitas mulheres optam por não realizá-lo ou interrompem após o primeiro ano, por temer os riscos de neoplasias hormônio-dependentes. Além disso, a TRH é contraindicada em casos, como: câncer de mama, câncer de endométrio, doença hepática grave, história de tromboembolismo agudo e recorrente, sangramento genital não esclarecido, entre outros.

Com o envelhecimento da população feminina, o atendimento nutricional especializado na saúde da mulher com foco no controle de sinais e sintomas do climatério, vem ganhando destaque como tratamento alternativo, pela contribuição na melhora da qualidade de vida e autoestima, nessa fase única e delicada da mulher. Pensando nisso, separamos alguns exemplos de estratégias nutricionais, como o uso de alimentos funcionais e infusões de plantas medicinais utilizadas no combate às queixas do climatério.

Soja (glycine max)


A soja destaca-se por apresentar isoflavonas na sua composição, que são as substâncias com maior número de estudos para o climatério, sendo indicada às mulheres que optam por utilizar terapia alternativas ou em casos de contraindicação ao TRH.  As isoflavonas presentes na leguminosa podem auxiliar na redução da sintomatologia climatérica, principalmente nos episódios de fogachos, pela sua estrutura molecular e propriedades similares aos estrógenos humano, uma vez que são capazes de ligar-se aos seus respectivos receptores. No pós-menopausa, a ação estrogênica das isoflavonas, atuam compensando a queda do nível de estrogênio, o que contribui para melhora dos sintomas vasomotores.

Amoreira-preta (morus nigra)


A amoreira-preta é uma planta pertencente à família Moraceae, com origem na Ásia, porém encontrada em todo o Brasil, sendo conhecida popularmente pelas suas propriedades medicinais. A planta contém uma variedade de compostos fenólicos, incluindo flavonas, isoflavonas, isoprenilados, estilbenos, cumarinas, cromonas e xantonas. Esses compostos apresentam efeito anti-inflamatório, antioxidante, diurético, hipotensor e atuam também como fitoestrógenos. A infusão das folhas da amoreira são utilizadas amplamente durante o climatério, visando o alívio dos sintomas, principalmente dos fogachos.

Melissa (melissa officinalis)


A melissa pertence à família Lamiaceae, sendo conhecida também como erva-cidreira, cidreira, capim-cidreira e citronete. A planta possui capacidade de reduzir sintomas de irritabilidade, ansiedade, e tensão. O ácido rosmarínico da melissa officinalis é um dos principais componentes responsável pelo efeito sedativo leve e ação calmante. A infusão de melissa pode auxiliar no combate a insônia relatada no climatério, sendo indicada nesta condição. Entretanto, pessoas com hipotireoidismo e com uso de medicamentos sedativos ou calmantes também devem evitar o consumo desta planta. Utilizar cuidadosamente em pessoas com hipotensão arterial.

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Bibliografia Consultada:

BRASIL; MINISTÉRIO DA SAÚDE (MS). Manual de atenção à mulher no climatério/menopausa, 2008.

FEDERAÇÃO BRASILEIRA DAS ASSOCIAÇÕES DE GINECOLOGIA E OBSTETRÍCIA et al. Manual de Orientação Climatério. São Paulo: Febrasgo, 2010.

INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA (IBGE). Projeções da População do Brasil e Unidades da Federação por sexo e idade: 2010-2060. 2018.

Nutricionista Clara Machado

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