Seletividade Alimentar no Transtorno do Espectro Autista

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Sumário

Seletividade Alimentar

Seletividade Alimentar no Transtorno do Espectro Autista

Transtorno do Espectro Autista (TEA) é descrito como uma síndrome neurológica e comportamental, caracterizada principalmente pelo prejuízo persistente na comunicação social recíproca e na interação social, bem como a presença de padrões restritos e repetitivos de comportamento, interesses ou atividades. Tais sinais tornam-se evidentes nos primeiros anos de vida da criança, e podem afetar diretamente seus hábitos alimentares.

As crianças com o transtorno do espectro autista frequentemente apresentam seletividade alimentar, visto que o comportamento repetitivo e o interesse restrito podem ter papel importante na recusa e resistência ao novo. Além disso, a baixa aceitabilidade de alimentos pode estar associada também aos distúrbios sensoriais comumente presentes no autismo, conhecido como transtorno de processamento sensorial.

Transtorno do Processamento Sensorial no Autismo

transtorno do processamento sensorial consiste na resposta desproporcional a um determinado estímulo sensorial, que pode provocar o aumento ou diminuição do nível de excitabilidade ou até mesmo flutuações entre estes dois extremos. Sabe-se que cerca de 78 a 90% das crianças com autismo podem apresentar alterações do processamento sensorial, levando a um impacto importante na alimentação, porém normalmente não é percebida devido às dificuldades de comunicação desses pacientes, principalmente na primeira infância.

As crianças autistas com transtorno de processamento sensorial podem ser hiper-responsivas, reagindo de forma exagerada ao um determinado estímulo, que se manifesta através da ansiedade, medo ou comportamento de oposição, ou serem hiporesponsivas, reagindo de forma apática e sem demonstração de interesse. Por isso, quando estas alterações ocorrem no momento da refeição, dado toda experiência sensorial presente (odores, texturas, sabores e cores), favorece a recusa de certos tipos de alimentos pela criança.

Em função disso, é comum que crianças hiper-responsivas tenham o consumo restrito de alimentos de uma determinada cor ou textura, ou preparações com pouco tempero por causa do sabor e do cheiro, o que tornar a alimentação da criança autista seletiva e pouco diversificada. Além disso, essa criança pode até mesmo apresentar dificuldades em permanecer na mesa durante a refeição, por se sentir desconfortável com os inúmeros estímulos. Já as crianças hiporesponsivas podem levar horas para terminar a refeição, sendo um grande desafio para a família.

Embora as crianças com autismo possam apresentar um paladar restrito, a seletividade alimentar deve ser trabalhada desde cedo, pois sem intervenção nutricional, corre o risco da alimentação permanecer durante um longo tempo restrita, o que compromete o estado nutricional, assim como, o desenvolvimento e crescimento adequado da criança. Dessa forma, é de suma importância que o Nutricionista faça a orientação adequada aos pais ou responsáveis, no intuito de tornar a alimentação da criança com autismo cada vez mais diversificada e nutritiva.

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Bibliografia Consultada

AMERICAN PSYCHIATRIC ASSOCIATION et al. Diagnostic and statistical manual of mental disorders (DSM-5®). American Psychiatric Pub, 2013.

CDC (2014) Prevalence of autism spectrum disorders among children aged 8 years: autism and developmental disabilities monitoring network, 11 sites, United States, 2010. MMWR Surveillance Summaries 63(2): 1–22.

DE CARVALHO, Jair Antonio et al. Nutrição e autismo: considerações sobre a alimentação do autista. 2012.

LEAL, Mariana et al. Terapia nutricional em crianças com transtorno do espectro autista. Cadernos da Escola de Saúde, v. 1, n. 13, 2017.

Nutricionista: Clara Machado

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