Nutrição em Geriatria
A transição demográfica e cuidado do idoso
A transição demográfica encontra-se em diferentes fases ao redor do mundo. Em conjunto com a transição epidemiológica, resulta no principal fenômeno demográfico do século 20, conhecido como envelhecimento populacional. Este fenômeno tem levado a uma reorganização do sistema de Saúde, pois essa população exige cuidados que são um desafio devido às doenças crônicas que apresentam, além do fato de que incorporam disfunções nos últimos anos de suas vidas.
O cuidado do idoso deve ser integral e integrado, graças à atuação de uma equipe multidisciplinar, levando-se em consideração as alterações fisiológicas decorrentes deste ciclo de vida, objetivando envelhecimento ativo e saudável.
Peculiaridades da avaliação nutricional em geriatria
Existem ferramentas que auxiliam e orientam o profissional de saúde quanto às características dessa população. Uma delas é a avaliação geriátrica ampla (AGA), que promove a abordagem diagnóstica multifacetada dos problemas físicos, psicológicos e funcionais, focalizando a preservação e/ou a recuperação funcional, e traz o conceito da promoção de vida saudável para o idoso.
Na avaliação clínica, existem peculiaridades da anamnese, a escuta ativa e qualificada, valorizando as queixas presentes e a agenda “oculta” permite detectar alterações pouco valorizadas pelo paciente e seus familiares. O exame clínico auxilia na percepção das alterações físicas decorrentes do envelhecimento normal, como alterações da pele e das mucosas, da pressão arterial, das funções cardíacas, pulmonares, intestinais e da circulação.
Ênfase é dada aos aspectos da avaliação funcional, observando-se as atividades básicas da vida diária, fundamentais para a manutenção da independência, e as atividades instrumentais da vida diária, nas quais se observam, além da independência, as atividades na comunidade.
Saúde mental e fatores socioambientais também são importantes áreas a serem avaliadas, podendo-se detectar doenças como depressão, déficits cognitivos e disfunções sociais, que podem propiciar o aparecimento de alterações temporárias e definitivas prejudiciais à saúde do idoso. Outros desafios permeiam a avaliação clínica do idoso, já que sintomas ou déficits, como dor, fadiga, transtornos do sono e da marcha, tontura e déficits sensoriais podem estar presentes sem significar doenças, como resultado do acúmulo de fatores orgânicos, psicológicos, ambientais e sociais.
O paciente ou mesmo seus familiares podem atribuir determinados sinais, como engasgos, quedas ou esquecimentos, ao processo normal de envelhecimento, podendo não ser citados espontaneamente na anamnese. Por isso, a avaliação deve ser feita por um profissional experiente que pergunte sobre as principais alterações comuns a essa faixa etária. Envelhecimento ativo, conforto e funcionalidade são as verdadeiras metas de saúde para essa população.
Alterações fisiológicas do processo de envelhecimento e implicação nutricional
São bem conhecidas as alterações fisiológicas relacionadas à composição corporal que acontecem com o envelhecimento. A massa muscular é perdida a uma velocidade de aproximadamente 8% por década a partir de 50 anos até a idade de 70 anos; após essa idade, com a perda de peso é acoplado um acelerado processo de perda de massa muscular, alcançando uma taxa de 15% por década.
Esse comprometimento da função muscular esquelética promovido pelo envelhecimento e por fatores desencadeantes como inatividade física, desnutrição e presença de algumas doenças catabólicas, é um importante problema de saúde pública e que pode ter consequências negativas, compreendendo um preditor independente de quedas, perda de independência e mortalidade.
Atualmente, a definição de sarcopenia engloba além da redução de massa muscular, a redução de força e a piora do desempenho físico. A alimentação adequada bem como a prática regular de exercícios construídos ao longo da vida compreendem hábitos importantes que farão diferença na geriatria.
Estratégias terapêuticas como o treino de força progressivo apresenta efeitos positivos sobre a redução da perda muscular ao longo dos anos, assim como um padrão alimentar saudável contemplando quantidades adequadas de calorias e proteínas.
O paciente idoso apresenta ainda alterações sensoriais, do aparelho digestivo e metabólicas, como:
- Alterações no paladar, olfato e visão;
- Diminuição da habilidade para mastigação e deglutição;
- Diminuição da produção de sucos digestivos, interferindo no processo de Nutrição;
- Alterações no metabolismo de vitamina D e balanço negativo de cálcio, aumentando o risco de doenças ósseas;
- Polifarmácia, aumentando o risco de interações medicamentos e nutrientes.
A importância do Cuidado Domiciliar na Assistência Nutricional em Geriatria
Os “Cuidados no Lar”, do inglês – “Home Care”, segundo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), é definida como Atenção Domiciliar (AD) e compreende o termo genérico que envolve ações de promoção à saúde, prevenção, tratamento de doenças e reabilitação desenvolvidas em domicílio.
O atendimento domiciliar gerontológico é um serviço que beneficia a população idosa que vem aumentando e consequentemente a prevalência de doenças crônicas e o desenvolvimento de incapacidades. Trata-se de uma modalidade de cuidado que acelera a recuperação do paciente e promove a redução dos custos da atenção, fortalece as relações idoso/família/cuidador, a manutenção de uma atenção personalizada, valorizando o idoso, caracterizando-se como um atendimento mais humanizado.
Este é um mercado novo e repleto de tendências que o configura com forte potencial de expansão haja vista as mudanças sociodemográficas que:
- aumentaram a longevidade e mudaram o curso de muitas doenças crônicas;
- os avanços científicos que garantem o rápido diagnóstico;
- a garantia de segurança do tratamento no domicílio e a profissionalização do segmento.
A seguir, listamos os principais fatores que justificam a adoção do sistema de home care:
- O envelhecimento da População.
- O aumento da Necessidade de Cuidados Médicos em Doenças Crônicas.
- O Aumento do Custo de Tecnologias Diagnósticas e de Tratamento.
- O Aumento do Interesse pelo autocuidado.
- Necessidade de Gerenciamento de Custo e Risco Pelos Planos de Saúde.
- O ambiente familiar que acelera a recuperação do paciente.
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