Abordagem Nutricional na Síndrome Pré-menstrual

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Sumário

síndrome pré-menstrual

A síndrome pré-menstrual (SPM) é um conjunto de manifestações que afetam a saúde física, emocional e comportamental de muitas mulheres em idade reprodutiva. Com o surgimento durante a fase lútea do ciclo menstrual, a SPM é caracterizada por uma ampla gama de sintomas, que podem variar em gravidade e duração. Estes sintomas incluem alterações de humor, como irritabilidade e ansiedade, bem como manifestações físicas como inchaço abdominal, mastalgia e fadiga. A SPM pode ter um impacto significativo na qualidade de vida das mulheres, interferindo em suas atividades diárias, relacionamentos e bem-estar geral.

Apesar de ser uma condição tão prevalente, a etiologia exata da SPM ainda não é completamente compreendida. No entanto, acredita-se que as flutuações hormonais, especialmente dos níveis de estrogênio e progesterona, desempenhem um papel central na sua manifestação. Além disso, fatores como sensibilidade aos neurotransmissores, predisposição genética e estilo de vida também podem influenciar a gravidade e a frequência dos sintomas experimentados pelas mulheres.

síndrome pré-menstrual

Diante da complexidade da SPM, uma abordagem nutricional adequada pode desempenhar um papel crucial na gestão e alívio dos sintomas, oferecendo às mulheres estratégias eficazes para melhorar sua qualidade de vida durante esse período delicado do ciclo menstrual. Neste Blog, exploraremos as principais estratégias nutricionais que podem ajudar a reduzir os sintomas da SPM e promover o bem-estar geral das mulheres afetadas por essa condição comum.

Carboidratos de qualidade na alimentação 

Os carboidratos desempenham um papel importante na síntese de neurotransmissores, como a serotonina, que está intimamente ligada ao humor e ao bem-estar emocional. Durante a fase lútea, os níveis de serotonina podem diminuir, contribuindo para sintomas como ansiedade, irritabilidade e alterações de humor.

Sabe que o consumo de carboidratos leva a liberação de insulina, estimulando a captação dos aminoácidos de cadeia ramificada pelos músculos. O acesso do triptofano pela barreira hematoencefálica para produção de serotonina é dependente da concentração de outros aminoácidos que disputam pelo mesmo carreador. Com a liberação de insulina, a concorrência diminui pelo carreador, favorecendo a absorção do triptofano pelo cérebro.  

Recomenda-se o consumo de carboidratos integrais, pois o consumo de carboidratos simples leva a picos de insulina que podem piorar sintomas como fadiga, mau humor, desânimo e, por isso, o seu consumo deve ser evitado. 

síndrome pré-menstrual

Triptofano precursor da serotonina

O triptofano um aminoácido essencial encontrado em uma variedade de alimentos, desempenha um papel crucial no funcionamento do sistema nervoso central como precursor direto da serotonina. A serotonina, por sua vez, é um neurotransmissor vital associado ao humor, bem-estar, regulação do apetite e outras funções cognitivas.

Sugere-se o consumo de alimentos fontes associados a carboidratos para sua melhor disponibilidade no Sistema Nervoso Central.

Exemplos de alimentos fontes: Banana, Grão-de-Bico, Cacau, Feijão, Aveia, Soja, Lentilha, Castanha de Caju, etc. 

Suplementação: 50 a 150mg/dia

Piridoxina cofator enzimático 

A piridoxina, também conhecida como vitamina B6, desempenha um papel fundamental na conversão do triptofano em serotonina no organismo humano. Esta vitamina é essencial para a função adequada do sistema nervoso central e está envolvida em uma série de processos metabólicos, incluindo a síntese de neurotransmissores como a serotonina.

Quando o triptofano é consumido através da dieta, ele passa por uma série de etapas metabólicas antes de ser convertido em serotonina. Uma dessas etapas envolve a conversão do triptofano em 5-hidroxitriptofano (5-HTP), uma reação catalisada pela enzima triptofano hidroxilase. Em seguida, o 5-HTP é convertido em serotonina pelo enzima 5-HTP-descarboxilase,. 

A piridoxina desempenha um papel crucial nessas etapas de conversão. Ela atua como um cofator enzimático para enzima 5-HTP-descarboxilase. Sem a presença adequada de piridoxina, o processo de conversão do triptofano em serotonina pode ser comprometido, levando a níveis reduzidos de serotonina no cérebro.

Alimentos fontes de piridoxina: banana, salmão, frango, fígado, batata, castanhas, nozes, etc. 

Suplementação: 40 a 100mg/dia

Magnésio cofator enzimático 

É um mineral que está envolvido como cofator enzimático na produção na serotonina e de hormônio como melatonina. Assim, seu consumo tem sido colocado no controle dos sintomas de humor, depressão, ansiedade e insônia. 

O  magnésio  é  reconhecido  como  um  dos  tratamentos  mais  indicados  para  enxaquecas, ocasionadas pela SPM, além de minimizar a retenção hídrica, ansiedade, náuseas e fadiga.

Alimentos fontes: Semente de abóbora, amêndoa, amendoim, espinafre, semente de girassol, lentilha, etc.  

Suplementação: 200mg/dia. 

Cálcio 

O cálcio desempenha um papel importante na saúde geral das mulheres, e sua importância SPM é cada vez mais reconhecida. Muitas mulheres experimentam uma série de sintomas físicos e emocionais, como cólicas, irritabilidade, mastalgia e alterações de humor, que podem ser agravados pela hipocalemia.

A suplementação de cálcio tem sido estudada como uma estratégia para aliviar os sintomas da SPM e aliada ao consumo de alimentos fontes. 

Alimentos fontes: Leite de vaca, gergelim, sardinha, iogurte, ricota, cottage, queijo minas, tofu, brócolis, etc. 

Suplementação: 500mg – 2x ao/ dia 

Vitamina E 

A mastalgia é um sintoma comum que muitas mulheres experimentam durante SPM. Esta condição é caracterizada por uma sensação de dor, sensibilidade ou inchaço nas mamas, que pode variar em intensidade de leve a grave. 

Estudos têm sugerido que a vitamina E pode ajudar a reduzir a sensibilidade mamária e a dor associada à mastalgia na SPM. Como antioxidante e lipossolúvel, a vitamina E ajuda a neutralizar os radicais livres no organismo, o que pode ajudar a reduzir a inflamação e a dor. Além disso, a vitamina E também pode influenciar os níveis de prostaglandinas, substâncias que estão envolvidas na regulação da dor e da inflamação.

Além da suplementação, a vitamina E também pode ser obtida através da dieta. Fontes alimentares ricas em vitamina E incluem nozes, sementes, óleos vegetais, abacate e vegetais de folhas verdes escuras. Incorporar esses alimentos na dieta pode ajudar a garantir uma ingestão adequada de vitamina E e potencialmente reduzir a gravidade da mastalgia na SPM.

Suplementação: 400 UI vitamina E/dia

Óleo de prímula (Oenothera biennis L.)

O óleo de prímula, extraído das sementes da planta Oenothera biennis, tem sido utilizado como uma abordagem natural para o tratamento da mastalgia associada à SPM. O óleo de prímula ganhou destaque como um possível tratamento devido às suas propriedades anti-inflamatórias e reguladoras hormonais.

O óleo de prímula é uma fonte rica de ácido gama-linolênico (GLA), um tipo de ácido graxo ômega-6. Acredita-se que o GLA presente no óleo de prímula possa ajudar a reduzir a sensibilidade mamária e a dor associada à mastalgia na SPM, atenuando a resposta inflamatória nos tecidos mamários.

Suplementação: 10% de GLA 500mg a 1000mg de Óleo de prímula/dia. 

Óleo de borragem (Borago officinalis)

O óleo de borragem, extraído das sementes da planta Borago officinalis, tem sido estudado como uma possível terapia complementar para o tratamento da mastalgia associada à SPM. O óleo de borragem tem sido investigado devido às suas propriedades anti-inflamatórias e à presença de ácido gama-linolênico (GLA).

O GLA é um ácido graxo ômega-6 presente em quantidades significativas no óleo de borragem. Este ácido graxo é convertido no corpo em prostaglandinas anti-inflamatórias, que desempenham um papel crucial na regulação da inflamação e da dor. 

Suplementação: 20% de GLA 500mg a 1000mg de Óleo Borragem/dia. 

Em conclusão, a abordagem nutricional desempenha um papel significativo no manejo eficaz SPM, oferecendo uma alternativa e complementar para aliviar os sintomas e melhorar a qualidade de vida das mulheres afetadas. Através de escolhas alimentares conscientes, suplementação adequada e atenção aos nutrientes específicos envolvidos na regulação hormonal, é possível mitigar os efeitos debilitantes da SPM.

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Referência Bibliográfica: 

DAUGHERTY, Janice E. Estratégias de tratamento para síndrome pré-menstrual. Médico de Família Americano , v. 1, pág. 183-192, 1998.

PASCHOAL, V.; ABPBL, Fonseca. Tensão pré menstrual. Silva e Mura. Tratado de Alimentação, Nutrição e Dietoterapia.. São Paulo: Roca, 2007.

RAMOS, AP da S. et al. Nutrição funcional na saúde da mulher. Rio de Janeiro: Atheneu, v. 192, 2018.

SIMINIUC, Rodica; ŢURCANU, Dinu. Impact of nutritional diet therapy on premenstrual syndrome. Frontiers in Nutrition, v. 10, p. 1079417, 2023.

VALADARES, Gislene C. et al. Transtorno disfórico pré-menstrual revisão: conceito, história, epidemiologia e etiologia. Archives of Clinical Psychiatry (São Paulo), v. 33, p. 117-123, 2006.

 

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