Principais causas da seletividade alimentar na infância

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Sumário

seletividade alimentar

A seletividade alimentar na infância é um fenômeno comum e desafiador que afeta muitas famílias em todo o mundo. É caracterizada pela relutância ou recusa persistente de crianças em consumir certos alimentos ou grupos de alimentos, resultando em preocupações dos pais e cuidadores sobre a nutrição e o desenvolvimento saudável de seus filhos.

Este comportamento pode manifestar-se de várias formas, desde a recusa em experimentar alimentos novos até a limitação extrema das opções alimentares, e pode ser uma fonte de estresse e ansiedade para as famílias.

Entender as causas subjacentes da seletividade alimentar na infância é fundamental para desenvolver estratégias eficazes de manejo e promoção de hábitos alimentares saudáveis desde cedo. Ao explorar os fatores que contribuem para esse comportamento, podemos ajudar a criar ambientes alimentares positivos e encorajadores que apoiem o crescimento e o desenvolvimento saudável das crianças. Neste blog, exploraremos as principais causas da seletividade alimentar na infância.

Fatores Genéticos

Estudos sugerem que fatores genéticos desempenham um papel significativo na seletividade alimentar na infância. Crianças podem herdar predisposições genéticas que afetam suas preferências alimentares e sensibilidades aos sabores. Por exemplo, algumas crianças podem ser mais sensíveis a certos gostos amargos, o que as torna avessas a vegetais de folhas verdes, enquanto outras podem ter uma preferência natural por alimentos doces ou salgados.

Fatores Clínicos

Um dos principais fatores clínicos que afetam a seletividade alimentar é a presença de alergias alimentares. Isso acontece porque as crianças podem se sentir inseguras em experimentar novos alimentos devido ao medo de uma reação alérgica.
Outro fator clínico relevante é a presença de condições que afetam o apetite, o paladar ou a capacidade de comer. Por exemplo, condições como refluxo gastroesofágico, problemas dentários, distúrbios sensoriais ou dificuldades de deglutição podem tornar desconfortável ou difícil para as crianças comerem certos alimentos. Isso pode resultar em uma aversão a certas texturas, sabores ou alimentos em geral, contribuindo para a seletividade alimentar.

Práticas parentais

As práticas parentais referem-se às estratégias e abordagens utilizadas pelos pais no contexto da alimentação, incluindo a forma como os alimentos são apresentados, as interações durante as refeições e as regras estabelecidas em relação à alimentação.

Em muitos casos, as práticas parentais podem influenciar diretamente as preferências alimentares e os padrões alimentares das crianças, podendo contribuir tanto para a seletividade alimentar quanto para o desenvolvimento de hábitos alimentares saudáveis.

Um dos principais fatores que influenciam a seletividade alimentar é o estilo de alimentação dos pais. Pais que adotam uma abordagem autoritária e coercitiva em relação à alimentação, impondo restrições rígidas ou pressionando a criança a comer, podem contribuir para a seletividade alimentar. Essas práticas podem criar uma atmosfera de estresse e ansiedade em torno das refeições, levando a criança a associar a comida com emoções negativas e aumentando a probabilidade de recusa de alimentos.

Por outro lado, pais que adotam uma abordagem mais flexível e receptiva em relação à alimentação, oferecendo uma variedade de alimentos e permitindo que a criança participe ativamente das decisões alimentares, tendem a promover hábitos alimentares mais saudáveis e uma maior aceitação de alimentos variados.

Além disso, o exemplo dos pais desempenha um papel crucial no desenvolvimento dos hábitos alimentares das crianças. Pais que demonstram uma preferência por alimentos saudáveis e mostram entusiasmo ao experimentar novos alimentos tendem a influenciar positivamente o comportamento alimentar de seus filhos, enquanto pais que têm hábitos alimentares pouco saudáveis podem inadvertidamente transmitir essas preferências aos seus filhos.

As interações durante as refeições também são importantes. Pais que criam um ambiente tranquilo e positivo durante as refeições, encorajando a comunicação e o compartilhamento de experiências em torno da comida, tendem a promover uma relação mais saudável com a comida e uma maior disposição para experimentar novos alimentos.

Situação sociodemográfica

O impacto da situação socioeconômica na seletividade alimentar é uma área de grande relevância, pois as condições financeiras de uma família podem influenciar significativamente os padrões alimentares e as escolhas alimentares das crianças. A seletividade alimentar pode ser agravada em contextos de menor poder aquisitivo.

Em famílias com recursos financeiros limitados, o acesso a uma variedade de alimentos frescos e nutritivos pode ser restrito. Isso pode resultar em uma dieta mais limitada e repetitiva para as crianças, com uma menor exposição a uma variedade de sabores, texturas e nutrientes. Como resultado, as crianças podem se tornar mais seletivas em relação aos alimentos, mostrando preferência por alimentos com os quais estão familiarizadas e relutância em experimentar novos alimentos.

Além disso, a disponibilidade de alimentos altamente processados e ricos em calorias, muitas vezes mais acessíveis financeiramente, pode influenciar negativamente os padrões alimentares das crianças em famílias de baixa renda. Esses alimentos, embora possam ser convenientes e econômicos, geralmente são pobres em nutrientes essenciais e podem contribuir para doenças a longo prazo, como obesidade e doenças crônicas.

Distrações durante a refeição

Distrações durante as refeições referem-se a qualquer estímulo externo que desvie a atenção da criança do ato de comer, como assistir televisão, usar dispositivos eletrônicos ou brincar enquanto come. Essas distrações podem ter várias consequências negativas no comportamento alimentar das crianças e contribuir para a seletividade alimentar de diversas maneiras.

Em primeiro lugar, as distrações durante as refeições podem reduzir a consciência sensorial da criança em relação à comida, tornando-a menos receptiva aos sinais de fome e saciedade. Quando uma criança está distraída, é menos provável que preste atenção aos sinais internos de fome e plenitude, o que pode levar a padrões alimentares desregulados e à recusa de experimentar novos alimentos.

As distrações durante as refeições também podem interferir na comunicação e interação social durante as refeições em família. As refeições são uma oportunidade importante para os pais e cuidadores modelarem comportamentos alimentares saudáveis e para a criança aprender sobre novos alimentos e hábitos alimentares. No entanto, se a criança está distraída durante a refeição, essa oportunidade de interação e aprendizado é perdida, o que pode dificultar o desenvolvimento de hábitos alimentares saudáveis.

A seletividade alimentar na infância é um problema complexo que pode ser influenciado por uma variedade de fatores, incluindo aspectos genéticos, clínicos, socioeconômicos, ambientais e comportamentais. No entanto, o papel do nutricionista é fundamental no manejo desse problema, fornecendo orientação e suporte aos pais e cuidadores para promover hábitos alimentares saudáveis desde cedo. Ao trabalhar em colaboração com famílias, o nutricionista pode ajudar a expandir o repertório alimentar das crianças, promover uma relação positiva com a comida e estabelecer bases sólidas para uma saúde ótima ao longo da vida.

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Referência Bibliográfica:

CHAO, Hsun-Chin et al. Serum Trace Element Levels and Their Correlation with Picky Eating Behavior, Development, and Physical Activity in Early Childhood. Nutrients, v. 13, n. 7, p. 2295, 2021.

DE PAULA IVNUK, Luana et al. Seletividade alimentar infantil: Uma revisão integrativa. Research, Society and Development, v. 12, n. 12, p. e130121244099-e130121244099, 2023.

TAYLOR, Caroline M.; EMMETT, Pauline M. Picky eating in children: Causes and consequences. Proceedings of the Nutrition Society, v. 78, n. 2, p. 161-169, 2019.

YALCIN, Suzan et al. Characteristics of picky eater children in Turkey: a cross-sectional study. BMC pediatrics, v. 22, n. 1, p. 431, 2022.

 

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