Os transtornos alimentares (TAs) são distúrbios psiquiátricos caracterizados por graves alterações do comportamento alimentar, responsável por inúmeras complicações clínicas, capazes de levar ao indivíduo a morte. Hoje, o público feminino jovem compreende 90% dos casos de TAs, visto que a insatisfação corporal, frequentemente observado nesse grupo, pode colaborar para o surgimento de comportamentos de risco para TAs.
De acordo com o Manual de Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais, 5ª edição (DSM-V), a etiologia de TAs é multifatorial e envolve componentes genéticos, socioculturais e vulnerabilidades biológicas e psicológicas, sendo a anorexia nervosa e a bulimia nervosa, os mais relatados.
Sabe-se que o profissional Nutricionista tem papel fundamental como integrante da equipe multidisciplinar, não apenas pelo suporte necessário para alimentação adequada no tratamento nutricional dos indivíduos diagnosticados com TAs, mas também na investigação de práticas alimentares inadequadas, com o objetivo de identificar o quanto antes qualquer alteração comportamental que possa a vir prejudicar a saúde desses pacientes.
Nutricionista no Rastreamento de Transtornos Alimentares
Mesmo que o profissional Nutricionista não faça o diagnóstico de transtorno alimentar, é possível atuar na investigação pela coleta de informações através da aplicação de entrevista de rastreio durante anamnese. Assim, para identificar o risco de transtornos alimentares é sugerido a utilização do teste de atitudes alimentares (Eating Attitudes Test), também conhecido como EAT-26.
O EAT-26 é um instrumento de auto relato que indica a presença de padrões alimentares anormais. O questionário possui 26 questões com seis opções de resposta: sempre, muito frequentemente, frequentemente, às vezes, raramente e nunca, que são relacionadas:
- Dieta – Total de 13 itens (nº 1, 6, 7, 10, 11, 12, 14, 16, 17, 22, 23, 24 e 25), que refletem recusa a ingestão de comidas de alto teor calórico e preocupações com a forma física;
- Bulimia nervosa – Total de 6 itens (nº 3, 4, 9, 18, 21 e 26), que identificam pensamentos sobre comida e atitudes bulímicas;
- Controle oral – Total de 7 itens (nº 2, 5, 8, 13, 15, 19 e 20), que se referem ao autocontrole em relação à comida e reconhecem pressões sociais no ambiente para ganhar peso.
A avaliação das respostas é feita pela escala Likert que varia de sempre (3 pontos), muito frequentemente (2 pontos) e frequentemente (1 ponto). As demais respostas não são pontuadas (às vezes, raramente e nunca), com exceção da questão 25, na qual os pontos são invertidos e “às vezes’’, “raramente’’ e “nunca’’ pontuam 1, 2 e 3 pontos, respectivamente.
Após o término da entrevista de rastreio, é necessário fazer a soma da pontuação de todos os itens presentes no questionário. Se o resultado for acima ou igual a 21 pontos é indicativo de risco aumentado de transtorno alimentar. Faça o download do EAT-26 no link abaixo.
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Neste curso você aprenderá a reconhecer sinais e atitudes típicas de pacientes diagnosticados com transtorno alimentar, além de compreender como as repercussões emocionais causadas pelo isolamento social se refletem no comportamento alimentar. Também entenderá a importância do aconselhamento nutricional individualizado de acordo com as especificidades de cada tipo de transtorno (anorexia nervosa, bulimia nervosa e compulsão alimentar).
Além de ampliar as possibilidades do atendimento e da intervenção nutricional utilizando a abordagem comportamental, desenvolvendo uma comunicação mais eficiente e que contemple não apenas os nutrientes e a prescrição dietética, mas também crenças, hábitos culturais/familiares e sociais, bem como a memória afetiva e sentimentos que envolvem a alimentação e o ato de comer.






